
A expectativa para o longa “Os Dez Mandamentos”, tão anunciado nas últimas semanas, fez com que a unidade do Cineart no Boulevard Shopping, em BH, abrisse sessão extra para a estreia nesta quinta-feira (31). Mesmo assim, na primeira, ás 13h40, não houve filas e nem alvoroço. Apesar de os ingressos terem se esgotado nesse cinema, somente nas sessões seguintes o espaço ficou mais cheio.
Antes de iniciar a exibição do filme, o público se mostrava ansioso para ver o Mar Vermelho se abrir na telona. No entanto, na saída do cinema, alguns mostraram-se frustrados com o resultado.
Caso da professora de dança, Cristiane Miranda, de 30 anos. “Não gostei muito do filme. Acho que fizeram uma propaganda enganosa. Quem não assistiu à novela ou não conhece a história, não deve ter conseguido entendê-la”. A opinião dela é compartilhada pela amiga, Bruna Lorrayne, de 21 anos. As jovens vieram junto com um grupo de amigos da Igreja Batista Filadélfia.
“Fiquei decepcionada, mas gostei da parte em que Moisés chega e diz ao faraó (Ramsés) que Deus iria mandar as pragas. E ele (o faraó) só acredita quando perde o seu filho”, considera. Contrário à opinião das moças, o estudante de Engenharia, Igor Henrique, de 28 anos, disse que valeu a pena ter visto o filme. “É uma oportunidade de as pessoas conhecerem a história. Achei legal”.
Roteiro corrido
Antes do lançamento, uma das questões levantadas é se a Record iria conseguir condensar com êxito os 176 capítulos da novela. Para tanto, a emissora, que lançou o filme em parceria com a Paris Filmes, fez um longa com cerca de duas horas e usou narração de Josué (Sidney Sampaio) para explicar alguns trechos. Ainda assim, a trajetória de Moisés até chegar à abertura do Mar Vermelho foi corrida.
Quem foi ao cinema, pôde ver a saga do personagem bíblico desde o seu nascimento até conseguir levar os hebreus para o deserto. Neste meio tempo, as dez pragas enviadas por Deus aos egípcios passaram como num piscar de olhos.
O ritmo do filme só desacelera em seu ápice, quando Moisés levanta o cajado e faz o Mar Vermelho se abrir. A resistência do povo em confiar nas palavras de Moisés também não é reforçada. A questão fica em evidência no fim, quando os hebreus resolvem desobedecer um dos dez mandamentos: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra”, Êxodo 20:4.
No fim das contas, contudo, a emissora conseguiu cumprir o propósito: as cenas finais fez com que o público ficasse aguardando para ver os hebreus, enfim, chegarem à “Terra Prometida”.