Pablo Escobar não se vê como “filho de traficante” e diz que família entregou o pai para a polícia

Elemara Duarte - Hoje em Dia
Publicado em 02/08/2015 às 09:14.Atualizado em 17/11/2021 às 01:11.
 (Divulgação)
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“Sem Tetas Não Há Paraíso” parece um título vulgar e absurdo. Mas quando o assunto é ilusão e criminalidade o que pode ser considerado nobre ou normal? É nestas questões que o escritor colombiano Gustavo Bolívar Moreno aposta na ficção que chega às livrarias.
 
O livro (Editora Record, 308 págs, R$ 45) fala de “Catalina”, uma adolescente da periferia de uma cidade colombiana que move meio mundo para conseguir um implante de silicone nos seios. O motivo é simples: ela acha que os grandes seios a farão conquistar um traficante, que vai lhe permitir sair da miséria.
 
Que latino – brasileiro, argentino, colombiano, mexicano – nunca ouviu uma história do tipo? Raro. Em “Sem Tetas Não Há Paraíso”, Moreno usa a habilidade dele também como roteirista para dar uma fascinante dinâmica à história.
 
Mundo cão
 
Por outro lado, um pouco de sarcasmo dá impulso para levar o leitor a pensar. O título do primeiro capítulo exemplifica este aspecto: “O que importa é o tamanho”. Apenas um chamariz para mostrar a ascensão e a queda desta adolescente mostrada nos capítulos posteriores. Ela abandona os estudos e dá início a um incansável plano de seduzir um traficante que lhe pagará o tal implante. 
 
Muitas mulheres se permitem, são obrigadas ou são levadas a se comportarem como “objeto” desde que o mundo é mundo. No livro, Catalina não rompe com esta tradição. Vira escrava sexual de traficantes, prostitui-se, mente, trai, se perde. Tudo em nome da ambição. Ela quer joias, roupas, um visto para os Estados Unidos, um marido, quer, quer, quer… (Quantas vezes nós mesmos, como crianças mimadas, também batemos o pé assim para a vida?)
 
O fato de a personagem central ser uma mulher imersa em enganos evidencia ainda mais um outro lado do gênero: aquele dos homens igualmente cheios de enganos. Afinal, “semelhante atrai semelhante”. Moreno explora esta relação, explicitando a violência rotineira que estes atores trocam, ao longo da história. A relação obsessiva de disputa chega à loucura, à mentira, à traição, à fatalidade, ao desespero. Afinal, a vaidade cobra seus preços. 
 
“Senhor do tráfico”
 
“Sem Tetas Não Há Paraíso” virou novela e série na terra de Shakira e de Botero e traz aos leitores brasileiros a realidade social e econômica na Colômbia, ainda com a presença do narcotráfico, mesmo 22 anos após a morte do traficante Pablo Escobar – o mais temido do país.
 
Escobar também é tema de outro livro, escrito pelo próprio filho, Juan Pablo, hoje arquiteto e radicado na Argentina. 
 
Lançado recentemente, “Pablo Escobar: Meu Pai – As Histórias que Não Deveríamos Saber” (Editora Planeta, 480 págs) fez com que Juan Pablo, hoje com 38 anos, saísse do silêncio. 
 
Ele não escolheu o destino como “filho de traficante” e declara que não guarda nada da fortuna que o pai reuniu com as drogas. No livro, é mostrada a caça a Escobar pela polícia e exército colombianos. Ex-traficantes e pessoas da própria família, diz, contribuíam na delação contra Escobar e denuncia que o pai chegou onde chegou graças também à cumplicidade de corruptos. 
 
Juan Pablo que foi uma criança testemunha de tudo isso, hoje diz que escolheu para o futuro a “paz”.
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