Para matar a saudade da poética de Alécio Cunha

Patrícia Cassese - Hoje em Dia
Publicado em 20/09/2014 às 09:10.Atualizado em 18/11/2021 às 04:17.
 (Cristiano Couto/Arquivo Hoje em Dia)
(Cristiano Couto/Arquivo Hoje em Dia)
A jornalista Márcia Queiroz confessa: “Nunca me imaginei escrevendo um texto de abertura de uma obra póstuma dele. É muito doloroso”, diz ela, referindo-se ao também jornalista Alécio Cunha (1969 – 2009), com quem compartilhou 20 anos de vida. O livro em questão – “Sintaxe Urbana” – será lançado neste sábado (20), a partir das 11h30, na Scriptum (rua Fernandes Tourinho, 99). 
 
Em cena, a alegria ante a oportunidade de trazer de volta, por meio da literatura, uma lembrança de sua cara metade. “Os poemas não podiam ficar na gaveta. Me cobrava, achava que o tempo estava passando, mas, na verdade, o livro chegou na hora certa. Acompanhou o meu luto, esperou que eu amadurecesse, lidasse melhor com minhas emoções”, diz Márcia. A obra traz 28 poemas curtos, haikais, através dos quais o escritor homenageia lugares e personalidades de Belo Horizonte. No lançamento, amigos farão leituras dos poemas.
 
É, a emoção promete rolar solta. Na verdade, Márcia não disfarça que sim, tem chorado muito nos últimos dias. “Reler os poemas me fez rever a nossa vida, pois ele cita os lugares nos quais vivemos muitas histórias, como a Cantina do Lucas, onde jantávamos, ou o sanduíche do bairro Alípio de Melo, com ‘sabor de beijo’, como ele diz. Quem deixa poesia, arte – seja ela qual for – deixa lembranças muito mais fortes, tocantes”. 
 
Para lidar com essas lembranças, ela contou com o apoio – e o ombro amigo – do filho do casal, João. “O livro é também uma forma de tornar a memória do pai mais viva para ele. O João está muito feliz. Ele deu opinião (no livro) e até fez críticas, pelo fato de não termos colocado a foto do Alécio nem uma pequena biografia dele”.
 
A jornalista admite: “Foi uma falha mesmo, o João está certo. E isso prova como o menino está atento e carinhoso com a memória do pai”. João herdou de Alécio a paixão pelo cinema. “Em 12 anos de vida, acho que já viu mais filmes que eu”, orgulha-se Márcia, com todos os motivos do mundo.
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