Paulina’ propõe outro olhar sobre a cultura do estupro

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
Publicado em 14/06/2016 às 17:35.Atualizado em 16/11/2021 às 03:54.
 (Esfera / Divulgação)
(Esfera / Divulgação)

O lançamento do argentino “Paulina”, a partir de amanhã nos cinemas, amplia a discussão sobre a cultura do estupro, acrescentando dados socioeconômicos e pondo em questão não o machismo ou a misoginia, mas a ideia de uma Justiça concebida pela ótica masculina.

É um filme que não dá para ficar indiferente, concordando que a culpa de uma advogada violentada por seus alunos numa escola rural, na fronteira com o Paraguai, não é daqueles que realizaram esse ato bárbaro e sim de um sistema que recorre a violência para punir a violência.

Ou discordando frontalmente, acreditando, como o pai de Paulina, que é juiz, que tal ação não pode ficar impune. Essa discussão é um dos seus aspectos mais ricos, não necessariamente fechando uma ideia, como revela o plano aberto em que a advogada está caminhando.

Círculo Vicioso
A gente não sabe onde irá dar, mas é possível conjecturar um olhar para o feminino, encerrando séculos de um processo que parece gerar apenas um círculo vicioso, com o papel da Justiça sendo apenas o de julgar. O que Paulina tenta enfatizar é justamente o oposto, o não-julgamento.

Por isso, os dez minutos iniciais do filme de Santiago Mitre são importantes para entender essa opção, quando pai e filha discutem sobre o futuro, com o primeiro sem entender como ela pode deixar de trabalhar na capital, buscando uma carreira em que alcançasse poder para agir.

Ela opta pelo caminho mais difícil, tentando disseminar uma noção de Justiça que não venha de cima para baixo. Mitre dá espaço aos outros personagens, entre eles os violentadores, mas essa necessidade acaba sendo o ponto frágil de “Paulina”.

Nas duas vezes que a trama retrocede para acompanhar o ponto de vista do “outro lado”, ela é pouco eficaz para criar alguma dúvida sobre a culpa deles, servindo apenas para quebrar o ritmo da narrativa.

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