Gil Vicente ainda era menino quando deixou Recife e veio a Belo Horizonte pela última vez. Agora, aos 55 anos, ele retorna à capital mineira para apresentar o que desde os 13 faz com expertise: desenhar.
A partir de sexta (e até 9/11) a mostra "Segunda Parábola" poderá ser visitada na Quadrum Galeria de Arte. Com curadoria de Inês Grosso (do Instituto Inhotim), a exposição é construída a partir de desenhos feitos de nanquim sobre papel e em vários tamanhos – todos elaborados em 2013.
A habilidade de Gil se reafirma nas minúcias de seus desenhos. Mesmo sem ter cursado faculdade de artes, o pernambucano trabalha, com talento, a pintura, o desenho, a escultura e a fotografia.
"Eu não tenho apego ao trabalho manual, mas esse é o espaço onde me identifico. De qualquer forma, acho que nasci faltando uma parte: eu devia ter nascido fazendo desenhos tridimensionais", brinca o artista que utiliza materiais como papel, lápis, carvão, nanquim, guache, óleo e tela.
"Eu não quero inovar ou misturar materiais e suportes, mas reconheço que na arte contemporânea é possível trabalhar com qualquer coisa. Aliás, não tem coisa mais difícil de entender que performance, não é?".
Antes de abrir a exposição na Quadrum, Gil participa do projeto "Aula Aberta", na Escola Guignard/UEMG (r. Ascânio Burlamarque, 540, Mangabeiras), às 19 horas.
Na ocasião, o artista vai falar sobre inspiração, técnica e sua trajetória no mundo das artes – que soma mais de 40 anos. O evento é aberto ao público e a entrada é gratuita.
Polêmica e arte
Entre os trabalhos mais polêmicos do artista autodidata está a obra ‘Inimigos’ – que foi exposta na 29º Bienal de São Paulo, em 2012
A série de desenhos traz a imagem do próprio artista, em tamanho real, matando personalidades como Lula, Bento XVI e a Rainha Elizabeth II.
Serviço
Exposição "Segunda Parábola" de Gil Vicente na Quadrum Galeria de Arte (avenida Prudente de Morais, 78, Funcionários). Segunda a sexta, das 12 às 19 horas. Sábados das 10 às 14 horas. Até 9/11.