
Era para ser uma noite de sexta-feira como tantas outras. No hall do cinema do Pampulha Mall, muitas pessoas aguardavam a hora de a sessão começar, observando os cartazes ou comprando pipoca.
Até que gritos e um corre-corre romperam com a tranquilidade do lugar. Quem poderia imaginar que, entre os espectadores, estariam o lorde Drácula e uma estranha menina chamada Samara.
Os mais sensíveis, que achavam que o medo ficaria reservado para o escurinho do cinema, durante a sessão de “Poltergeist”, “descarregaram” a adrenalina antes mesmo de o projetor funcionar. Priscila Marques foi uma das que correram para o banheiro, aos berros. “Uma coisa é ver o filme, outra é dar de cara com um monstro desses”, observa a garota.
Adilson Santos, o experiente ator por trás da maquiagem do vampiro da Transilvânia, confessa que ele mesmo fica assustado com a reação do público belo-horizontino aos clássicos personagens do terror.
Elenco macabro
Ex-“monstro” do Playcenter, em São Paulo, ele agora faz parte do elenco macabro do Castelo do Terror do Parque do Guanabara, onde, não raro, os frequentadores caem para trás de medo – literalmente. “As pessoas olham para a cara de um zumbi e, de repente, começam a passar mal. Acho que a administração do Parque deve ver com estranheza a reação de alguém que foi para lá para se divertir”, destaca.
Pregando sustos
Como mostra a recente onda de refilmagens de obras de terror das décadas de 70 e 80, entre eles “Poltergeist”, ter medo também faz parte da diversão, especialmente dos jovens.
Ana Melki sempre curtiu o gênero e resolveu que já estava na hora de pregar seus sustos. Com 19 anos, depois de se especializar em maquiagem, há cinco meses ela virou uma atração do Castelo do Terror. No Pampulha Mall, era uma “alma perdida”, inspirada no filme “O Chamado”. Passou três horas construindo sua personagem com látex e pigmentos.
Atualmente coordenador artístico do Castelo, como um dos responsáveis pelo figurino, Adilson avisa que os zumbis são os personagens da moda, devido ao sucesso da série “Walking Dead”. Mas gosta mesmo é de interpretar seres que, aparentemente, são mais “normais”. “Aqueles que não são deformados ficam mais próximos da realidade do espectador. E isso gera um conflito dentro dele”, assinala.
Refilmagens de clássicos do terror costumam decepcionar
A refilmagem de um clássico do terror não é garantia de mais sustos. O crítico de cinema Gabriel Carneiro, diretor de uma incursão no gênero com o curta-metragem “Morte e Morte de Johnny Zombie”, observa que, para conquistar o público adolescente, a maior parte dos remakes recentes é mais branda e menos impactante em relação à brutalidade do original.
“Ainda que apontem para caminhos distintos em relação aos originais, perdem com o visual limpo e a tendência de supervalorizar a construção do medo no filme”, registra Gabriel, que enxerga nesses trabalhos mero oportunismo de capitalizar em cima de algo já “midiatizado”, muito próximo das adaptações de franquias literárias, como “Jogos Vorazes” e “Divergente”.
Mais do mesmo
Mas nem tudo está perdido. Há casos em que, na avaliação do críticos, as refilmagens superam a obra que as inspiraram. É o caso de “O Chamado” (2004) e “Água Negra” (2005), que se mostraram superiores aos originais japoneses. “Tenho a impressão que, de maneira geral, as melhores refilmagens no cinema são novas adaptações de um texto literário, o que permite diferentes cineastas se exporem mais”.
“Falácia”
Gabriel lamenta que são raros os exemplos em que uma refilmagem agrega algo. “Anos atrás até diria que esses filmes permitem jogar uma luz a antigos clássicos esquecidos ou a filmes restritos a nichos, mas vejo que é pura falácia. O grande público que consome esses filmes nem se dá conta de que já foi feito algo antes”, analisa.
Confira a lista dos 10 filmes mais aterrorizantes de todos os tempos:
"Psicose" (1960)
"O Iluminado" (1980)
"O Exorcista" (1974)
"Poltergeist" (1982)
"O Bebê de Rosemary" (1968)
"O Massacre da Serra Elétrica" (1974)
"A Bruxa de Blair" (1996)
"O Sexto Sentido" (1999)
"A Noite dos Mortos-Vivos" (1968)
"Nosferatu" (1922)