CIRCUITO DE ARTE

Pinturas promovidas pelo Cura 2026 em prédios no Centro de BH começam a ganhar forma; veja fotos

Essa é a quarta e última edição do Cura na Praça Raul Soraes, que na última década se tornou um dos principais conjuntos de arte pública a céu aberto do país

Gabriela de Castro*
gabriela.castro@hojeemdia.com.br
Publicado em 22/08/2026 às 12:27.Atualizado em 22/08/2026 às 15:56.
Nascido no Vale do Rio Doce, o artista está produzindo uma obra que tem os rios como tema principal (Valéria Marques/Hoje Em Dia)
Nascido no Vale do Rio Doce, o artista está produzindo uma obra que tem os rios como tema principal (Valéria Marques/Hoje Em Dia)

As pinturas nas  paredes externas laterais de prédios promovidas pelo Circuito Urbano de Arte (Cura) na Praça Raul Soares, no Centro de Belo Horizonte, começam a ganhar forma. Os painéis devem ser finalizados até o próximo domingo (30), quando encerrará  o festival - um dos maiores de arte pública da América Latina.

A pintura das empenas teve início na última quarta-feira (19). Imagens realizadas pelo Hoje em Dia mostram o andamento do painel do escritor e líder indígena Ailton Krenak no Edifício Pignataro, na altura da Avenida Augusto de Lima. Nascido no Vale do Rio Doce, o artista está produzindo uma obra que tem os rios como tema principal.

Outra foto mostra o processo de uma obra de um muro no parquinho infantil da área de lazer do Edifício JK - o caracol do Bloco A. A responsável pela pintura com  cores intensas e formas geométricas é a belo-horizontina Rafaela Ianni. 

Com acrílica e papel de seda, a composição da obra remete a cortes e planos de arquitetura. "Ao compor o trabalho, pensei em respeitar o espaço e o projeto do prédio, a partir da pesquisa que venho desenvolvendo", explica.

"Descansar Enquanto" é tema da edição de 2026

O tema da edição é “Descansar Enquanto” e traz provocações sobre o excesso de estímulos, informações e urgências. O evento propõe o descanso não apenas como uma pausa, mas como um direito que ainda não é amplamente garantido. A reflexão dialoga com o livro “Descansar é Resistir”, da norte-americana Tricia Hersey, para quem o descanso é uma recusa ativa às estruturas que operam pela exaustão.

“Acho que a cidade em si oprime muito as pessoas e não permite o descanso”, explica Priscila Amoni, diretora e fundadora do Cura. “Então, acho que as obras de arte mudam o olhar, fazem a gente olhar para cima e dão um descanso visual. A gente costuma dizer que elas são uma palavra sendo dita o tempo inteiro na cidade.”

Essa é a quarta e última edição do Cura na Praça Raul Soraes, que na última década se tornou um dos principais conjuntos de arte pública a céu aberto do país. Além da produção de arte ao vivo, a programação de despedida terá DJs, visita guiada ao Edifício JK, highline e até um festival de fanfarras.

*Estagiária, sob supervisão de Paulo Duarte

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