Por uma vida de ‘gente normal’: Rodrigo Santoro é destaque no Festival de Cinema de Gramado

Paulo Henrique Silva - Hoje em Dia*
Publicado em 12/08/2014 às 08:30.Atualizado em 18/11/2021 às 03:45.
 ( Cleiton Thiele)
( Cleiton Thiele)
GRAMADO (RS)
 
“Isso sempre acontece comigo”, justifica Rodrigo Santoro, referindo-se aos olhos marejados ao falar de seus parceiros de set – entre eles, o mineiro Maurício Tizumba, com quem contracenou em “Heleno” (2011).

Homenageado com o troféu Cidade de Gramado, no festival de cinema da cidade gaúcha, o ator fez um balanço de sua carreira – que teve um impulso considerável a partir de 1998, com a minissérie televisiva “Hilda Furacão”, baseada na obra do mineiro Roberto Drummond – Santoro interpretou Frei Malthus.

Ao se reportar ao cinema, ele pinça da memória a parceria com José Dumont, em “Abril Despedaçado”, de Walter Salles (2001). Santoro se recorda de sua chegada a Bom Sossego, interior da Bahia, um dos cenários do filme, quando viu um suposto “típico morador”, ao qual se dirigiu para perguntar pela equipe de produção.

“Era o Zé (Dumont), já pronto para o seu personagem (pai de Rodrigo Santoro na trama). Logo vi que seria uma experiência incrível. O Zé é um ator nato, é uma aula estar ao lado dele”, elogia Santoro, na concorrida entrevista realizada horas antes da entrega do Kikito, na noite do último sábado.

Prestes a entrar no elenco da série de ficção científica “Westworld”, produzida para o canal HBO pelo mesmo autor de “Lost”, J. J. Abrams, Santoro solta um suspiro antes de falar de Tizumba. Conta que foi conquistado de imediato após o mineiro lhe dar um forte e interminável abraço, seguido por uma cantoria.

“Quando o Tizumba veio (para teste de enfermeiro de Heleno, famoso jogador da década de 40), o abraço não acabava. Era um abraço bom e caloroso. Depois puxou a viola e fez um show na hora. Falei para o diretor que ele teria que estar com a gente, mesmo que fosse para fazer aquilo todos os dias”, relata.

Sem poupar palavras carinhosas também a Gero Camilo (“artista absolutamente plural, um grande amigo que carrego lá dentro do coração e com quem não vejo a hora de trabalhar novamente”, sublinha), seu parceiro e “marido” em “Carandiru” (2003), Santoro confirma que o presidiário homossexual foi um dos divisores de água em sua carreira.

Assinala, porém, que não aceitou o papel para se desvincular da imagem de galã de telenovelas. “As pessoas me perguntavam se eu tinha feito para chocar, para quebrar a imagem. Não construí isso conscientemente. Não achava pejorativo ser galã. A imagem de um ator é de domínio público e faz parte de um mundo etéreo”, define.
 
‘Estou estimulado’, diz ator
 
Sobre “Westworld”, Santoro não adianta muito. “Faremos o piloto da série, que tem um potencial muito grande. As pessoas envolvidas são incríveis, como Anthony Hopkins, Evan Rachel Wood e Jeffrey Wright.

O conceito, baseado num filme de 1973 passado num parque de diversões futurista, é muito interessante”.
 
‘O cinema brasileiro nunca deixou de fazer parte da minha vida’
 
Dizendo que busca levar uma “vida de gente normal”, Rodrigo Santoro diz não seguir uma fórmula para escolher os projetos aos quais se associa. “É igual tentar explicar o que faz alguém ser seu amigo ou você se apaixonar.
 
Os motivos são os mais diferentes: instinto, a sensação ao ler a história e aqueles com quem vou trabalhar, imaginando o que o filme poderá me acrescentar”, esmiúça.

Cita os casos de “Meu País” (2011), de André Ristum, que lhe tocou por falar de uma família de laços italianos, com cenas filmadas na “Velha Bota”, o que remeteu às suas origens, e da produção hollywoodiana “300” (2006), de Zack Snyder, quando interpretou o vilão Xerxes.
 
“Achei aquele personagem bizarro, uma figura intrigante”. O filme ganhou sequência este ano, com “300: A Ascensão do Império”.

O ator nascido em Petrópolis, que completará 39 anos no próximo dia 22, arranca risadas ao admitir que um dos motivos que o levaram a participar de uma das mais famosas séries de TV, “Lost”, foi o fato de as locações serem no Havaí, um dos melhores locais para a prática do surfe.

“Não vou mentir. Foi muito importante na minha decisão. Tinha feito um contrato de seis meses, mas quando chegou a vez de meu personagem, a temporada estava acabando. Queriam que eu continuasse, mas não topei. Eles entenderam e arrumaram um jeito sensacional de matar o personagem”, recorda.

Uma das razões para não aceitar um contrato mais longo é que Santoro não quer ficar muito tempo longe do Brasil. “O cinema brasileiro nunca deixou da fazer parte da minha vida. Busco um equilíbrio maior entre essas idas e vindas (aos EUA), nessa dinâmica cigana dos últimos anos. Estou me planejando melhor”.

A razão de aprender inglês não teve nada a ver com as possibilidades de trabalho no Tio Sam. “Gosto de viajar e era chato não saber expressar em inglês para pedir uma mostarda. Agora já são 12 anos de intercâmbio cultural. Às vezes ele (o inglês) enferruja e tenho que botar um pouquinho de óleo”, diverte-se.

(*) Repórter viajou a convite da organização do 42º Festival de Gramado
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