
O bom humor e a brincadeira com as palavras é uma marca de Carlos Careqa. Essas características são evidentes em seu recém-lançado "Made in China", mas o álbum possui seus diferenciais. "Esse disco não tem canções de amor, é mais existencialista. Fala mais das minhas angústias, do meu dia a dia, dos meus questionamentos", afirma Careqa, que dessa vez assina menos parcerias – são apenas duas em 14, com Marcelo Quintanilha e Adriano Sátiro.
Desde o início, a intenção era abordar a "chinalização" do mundo, tendo como ponto de partida a música "Made in China". Pensou em desenvolver arranjos mínimos, com pouca instrumentação, criados a partir do computador, mas no decorrer do processo a sonoridade do álbum foi se transformando.
A chegada do produtor Marcio Nigro ampliou as possibilidades. "Pensamos em tocar as músicas só com o Nigro. Mas a coisa foi crescendo e mudando. São canções intimistas, então fomos inserindo violões e teclado. A proposta de questionar a ‘chinalização’ acabou ficando mais subentendida", diz.
Internet
As canções nasceram a partir de 2011 e algumas foram desenvolvidas a partir de diálogos via redes sociais. Para desenvolver a faixa "Crise de Identidade", ele postou em sua página do Facebook o verso "estou comigo mesmo e confesso" e esperou pela interação com os internautas. "As pessoas fizeram complementações. Após essas contribuições, fui arredondando até chegar a um poema".
Seu gosto de brincar com as palavras e os conceitos nasceu em Curitiba, onde viveu sua infância e juventude. Sempre esteve ligado a Paulo Leminski e sua turma dos anos 70/80. Época em que pensamento, criatividade e subversão eram bem-vindos.
"A música ficou tão vulgarizada, que qualquer menina de 15 anos está compondo canções fofinhas", afirma Careqa. "Não gosto de canção que fala de amor de maneira desabafada. Música é a minha forma de comunicação e é preciso ter algo importante para se comunicar".