
Não se trata de preconceito. Mas, sim, de outro aspecto igualmente perigoso: a invisibilidade. Idealizador e curador do 3º Encontro Rede Terreiro Contemporâneo de Dança, Rui Moreira destaca que, apesar de ser uma nação de várias matrizes, o Brasil não dá os devidos créditos às influências africanas na dança.
“Essas raízes são tão próximas que, muitas vezes, a gente diz: ‘Isso é nosso!’. Há um lado positivo nisso, mas um também negativo, pois há uma certa perversidade nessa invisibilidade”, registra Moreira, após abrir o evento nessa terça-feira (30), no Sesc Palladium (uma das sedes ao lado da Funarte e do Memorial Minas Gerais Vale).
Até sábado, o tema será desdobrado em várias oficinas, seminários exibição de documentários e rodas de discussão, sempre com entrada franca. Um dos destaques da programação é a apresentação, nesta quarta-feira (1º), às 20h, no Grande Teatro Palladium, do espetáculo “Afro-Dites”, da Kaddu JIGEEN!, de origem senegalesa.
“A dança cênica, como processo de formação e área de conhecimento, não dá a devida importância para essa afrodescendência”, pondera Moreira, fundador e dançarino da Rui Moreira Companhia de Danças, cartaz desta quinta-feira (2), no galpão 4 da Funarte, com o espetáculo “Definitivo é o Fim”.
O curador cita o samba, o maracatu e o congado como exemplos da influência africana na cultura brasileira. Mas ele faz questão de frisar que o evento não é voltado para uma “cor” em específico. “O Brasil é de todas peles. Como disse Gilberto Gil, as questões do negro não são exclusiva do negro. E, sim, da nação”, observa.
Destaca ainda que a dança é uma ponte para abordar outras questões, como as políticas públicas e a educação. Um bom exemplo acontece na sexta, no Palladium, de 10h às 13h, quando será abordada a relação terapêutica da música no cotidiano das pessoas.