'Rumos Cultural' celebra 20 anos; programa prevê R$ 15 milhões em projetos

Lucas Buzatti
lbuzatti@hojeemdia.com.br
Publicado em 29/08/2017 às 17:32.Atualizado em 15/11/2021 às 10:19.
 (agência ophelia/divulgação)
(agência ophelia/divulgação)

SÃO PAULO. Fomentar projetos com diferentes olhares e linguagens artísticas, criando uma cartografia da diversidade da cultura popular brasileira. Esse é o principal foco do programa Rumos, do Itaú Cultural, que completa 20 anos em 2017. Um dos primeiros editais públicos do país, o programa vai investir mais de R$ 15 milhões em projetos do Oiapoque ao Chuí em 2017. A abertura das inscrições para o biênio 2017-2018 foi divulgada na última segunda-feira (28), durante coletiva de imprensa na sede do instituto, em São Paulo.

Conhecido pelo edital desburocratizado, onde o proponente apenas responde cerca de 30 perguntas para se inscrever, o Rumos contempla projetos ou trabalhos sobre arte e cultura brasileira, sejam de qualquer expressão artística ou intelectual, apresentados ou desenvolvidos em qualquer tipo de suporte, formato, linguagem artística ou mídia. “Os principais nortes do programa são o rompimento de fronteiras e a diversidade cultural e artística do Brasil”, afirmou Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, lembrando que não há valor mínimo ou máximo para os projetos.

Seleção
O processo de seleção dos projetos passa primeiramente por uma comissão de avaliação formada por 40 profissionais contratados pelo Itaú Cultural, de diversas áreas de atuação e regiões do país. Depois, é iniciada a segunda fase junto à Comissão de Seleção do Rumos, onde 12 importantes nomes das artes brasileiras e outros dez gestores do instituto dão o veredito final. “Fica a sensação de que vai se poder ter uma visão ampla da produção de um país de dimensões continentais e que, na sua contemporaneidade, cria com liberdade de expressão. Sem contar que é um edital que abrange múltiplas linguagens”, salientou o bailarino paulistano Rui Moreira, que dançou com o Grupo Corpo por 35 anos e integra a comissão.

Os critérios de ambas as fases são a singularidade do projeto, sua relevância e consistência. Não há número mínimo ou máximo de projetos, propostas ou obras a serem contemplados. “O Rumos é um programa de parceria, e não de patrocínio. Essa parceria se dá desde o momento em que os projetos chegam para nós. O Itaú Cultural não apenas libera a verba para esses projetos, mas participa de suas concepções junto aos proponentes”, afirma Saron. “Um ponto interessante é que, quem chega à última etapa de seleção, vai ter seu projeto lido por 26 pessoas, o que é uma singularidade do programa”, completou Ana de Fátima Sousa, gerente do Núcleo de Comunicação do instituto.

Desde 1997, o Rumos já ultrapassou os 52 mil projetos inscritos, sendo contempladas cerca de 1,3 mil propostas. Para fazer a inscrição no Rumos 2017-2018, o proponente deve acessar o site rumositaucultural.org.br.
 

ALÉM DISSO

Para divulgar o programa e angariar inscrições em todo o país, o Rumos faz uma caminhada pelas 27 capitais, entre de 4 de setembro a 26 de outubro. Nesta edição, a caminhada ganhou um complemento importante: nos dez estados onde o programa registra menor participação, haverá um processo mais apurado de escuta e troca. “O que se diferencia, nesses estados, é a partida. Faremos uma escuta diferenciada para aumentar a presença desses estados no programa e a capacidade desses locais interferirem na comissão final”, afirma Saron. “O critério de aprovação segue sendo meritório, mas queremos dar mais condições a esses estados”, diz. Outra novidade deste ano é a ampliação das ferramentas de acessibilidade no edital, facilitando o acesso e participação de surdos e pessoas cegas ou de baixa visão. Na seção “como funciona”, por exemplo, todas as perguntas vêm acompanhadas por um ícone de libras, a Língua Brasileira de Sinais.

Além da coletiva de imprensa, os jornalistas foram convidados a acompanhar a montagem de “Narrativas Invisíveis –Mostra Rumos 2015-2016”, que abre hoje e vai até 5 de novembro. A mostra apresenta 24 trabalhos, entre os 117 projetos selecionados pelo programa, formando um conjunto que se debruça sobre o silenciamento e a invisibilidade social. Além dos trabalhos expostos, haverá, em outubro, diversos debates sobre memória dos povos esquecidos, cartografias do esquecimento e a condição das mulheres na sociedade.

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