
As folhas vindas da horta, os temperos, a gordura de porco, a farinha, a cachaça, o “ora-pro-nobis" entre outros ingredientes utilizados na culinária mineira darão um gosto especial ao samba-enredo da Escola de Samba Salgueiro em 2015. Inspirados no livro ‘História da Arte da Cozinha Mineira por Dona Lucinha’ (Editora Larousse Brasil), o enredo “Do Fundo do Quintal, saberes e sabores na Sapucaí…”, pretende homenagear e valorizar a gastronomia, a cultura e o turismo de Minas Gerais.
Durante o desfile a escola promete contar a história de Minas por meio de sua culinária. Desde os primeiros habitantes, passando pela corrida do ouro, os escravos e a devoção religiosa do povo mineiro. Segundo a Escola de Samba, a culinária mineira traz influências indigênas na ultilização de utensílios e nos tempeiros, bem como o jeito de transportar e cozinhar dos tropeiros, além do modo peculiar da cozinha africana, trazida pelos escravos durante a exploração do ouro e do diamante.
Atual vice-campeã do carnaval do Rio de Janeiro, o Salgueiro promete brigar novamente pelo título de escola campeã. Em 2015, os desfiles acontem nos dias 15 e 16 de fevereiro e a escola é a quinta a desfilar no primeiro dia de competição.
Dona Lucinha
Proprietária de uma rede de restaurantes em Belo Horizonte e São Paulo, Maria Lúcia Clementino Nunes, 82 anos, mais conhecida como Dona Lucinha, inspiração para o enredo, mantém em seu cardápio as características e gostos da culinária mineira do período colonial. Entre as principais receitas do cardápio, estão pratos tipicos como Feijão Tropeiro, Frango com Quiabo e Angu e Vaga Atolada. No restaurante também é servido os tradicionais pão de queijo e doce de leite.
Antes de abrir seu primeiro estabelecimento Dona Lucinha foi professora, salgadeira, quitandeira, doceira e vendedora na cidade do Serro, no Vale do Jequitinhonha.
Cofira o Samba-Enredo da Escola de Samba Salgueiro
Tem amor nesse tempero… salgueiro
Esse “trem é bom demais”
Vem dos tempos dos meus ancestrais
Foi o índio que ensinou
Com sua sabedoria
O jeito de aproveitar, tudo que a terra dá, no dia-a-dia
É de dar água na boca, se lambuzar
Visitar o paraíso…. e sonhar
O danado desse cheiro sô!… ô sinhá
Atiçou meu paladar… ô sinhá
Já bebi uma “purinha” vim sambar na academia (bis)
E não quero mais parar…
O ouro desperta ambição
Da fome nasce a criatividade
O branco, o negro e seus costumes
Trazendo muito mais variedade