Saulo Duarte e a banda A Unidade ampliam horizontes

Cinthya Oliveira
cioliveira@hojeemdia.com.br
Publicado em 26/08/2016 às 16:55.Atualizado em 15/11/2021 às 20:34.
 ( Fabiano Rodrigues/Divulgação)
( Fabiano Rodrigues/Divulgação)

Não dava para falar sobre amenidades neste momento que o país está vivendo”, afirma Saulo Duarte sobre os caminhos escolhidos para seu terceiro disco com a banda A Unidade, “Cine Ruptura” (YB/Natura Musical). 

Diferentemente de “Quente” (2014) e “Saulo Duarte e a Unidade” (2012), o novo trabalho tem um tom menos festivo e mais reflexivo. “Esse também tem a sua festa, mas também tem uma tentativa de se entender os caminhos do novo mundo que estão se abrindo. É um momento em que muitas coisas estão ruindo, como o patriarcado e o machismo”. 

Ampliação
A sonoridade de “Cine Ruptura” também se apresenta diferente. Enquanto no álbum anterior havia um mergulho na cultura nortista – Saulo nasceu no Pará –, dessa vez houve uma ampliação de suas influências. Belém continua presente com seus ritmos peculiares, é claro, mas agora é possível perceber a variedade cultural com que Saulo teve contato – ele mora em São Paulo e já viveu em Fortaleza e na capital mineira, porque seu pai é belo-horizontino. 

“É um disco que fala de várias partes do Brasil. Tem samba e funk como James Brown, por exemplo”, diz o músico, que teve o álbum realizado com recursos da lei de incentivo paraense. 

O processo de gravação também teve uma dinâmica diferenciada em relação aos anteriores. Dessa vez, a banda de sete componentes ensaiou bastante durante a pré-produção para que as gravações pudessem acontecer ao vivo, dentro do estúdio. A produção foi assinada por Curumin.

O grande número de integrantes é importante para que haja uma riqueza musical nos trabalhos, mas também é um complicador – viajar com sete integrantes não é tarefa fácil, pois o custo de passagens aéreas e hospedagem para a produção de um evento é maior.

Essência
Mesmo assim, o grupo está junto há sete anos e não há intenção de ser reduzido. “Faço questão de frisar que somos uma banda, um organismo vivo, que não vive apenas a minha opinião. Houve ocasiões em que tivemos que viajar de forma reduzida para o exterior, mas normalmente encontramos alternativas para circular sem afetar a essência da banda”, explica Saulo. 

Ainda não está fechado, mas um show do grupo deve acontecer em breve em Belo Horizonte. A apresentação contempla boa parte das 12 faixas do novo álbum, mas sem deixar de lado algumas músicas dos discos anteriores. “Tocamos as músicas antigas com novas versões, que dialogam com a linguagem trabalhada em ‘Cine Ruptura’”, pontua. 

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