
Apesar de ser mais uma história de personagens com superpoderes que tentam evitar a destruição da Terra por uma mente perversa, o diferencial dessa continuação de “As Tartarugas Ninjas” é não se levar muito a sério, surgindo quase como um deboche desses filmes que concorrem entre si para ver quem destrói mais cidades.
Como um entretenimento para toda a família, o filme baseado nos quadrinhos criados em 1984 busca agradar a todos os seus membros, do filho pequeno que curte o humor infantil do quarteto mutante ao adolescente espinhento que se derrete por Megan Fax, sem falar dos adultos que gostam de ação misturada à comédia.
Esse último quesito é o que mais nos surpreende, já que o primeiro produto, lançado há dois anos, teve um resultado apenas mediano na junção de um roteiro movimentado com efeitos especiais críveis – afinal, estamos falando de tartarugas musculosas falantes, hábeis com espadas e outros apetrechos.
Os personagens, especialmente os quatro heróis, estão melhor desenvolvidos, como nos quadrinhos, pegando uma lasquinha na onda dos “super” que brigam entre eles, reforçando os ensinamentos do rato Splinter de que a união faz a força – mensagem ilustrada nos instantes finais, quando enfrentam um poderoso extraterrestre.
"A produção é de Michael Bay, diretor da franquia “Transformers” e que costuma dar maior ênfase às piruetas visuais"
Intolerância
Também em comum com a safra dos heróis na telona é a questão sociedade x diferença. Como os recentes “X-Men: Apocalipse” e “Capitão América – Guerra Civil”, o que está em discussão é a intolerância e o medo em relação ao que não pode ser compreendido, com aqueles que buscam nos defender indo para o banco dos réus por sua forma incomum.
O subtítulo “Fora das Sombras” acaba sendo um bom resumo para esse momento de radicalismos, quando o quarteto espera não precisar mais se esconder e ser reconhecido pelo que é.