Sérgio Pererê lança seu novo disco, 'Cada um', no sábado

Jéssica Malta
jcouto@hojeemdia.com.br
Publicado em 30/10/2018 às 16:02.Atualizado em 28/10/2021 às 01:31.
 (Tamás Bodolay/Divulgação)
(Tamás Bodolay/Divulgação)

“Estou mais apreensivo para esse lançamento do que em todos os outros que fiz na vida”, confessa o músico Sérgio Pererê, que apresenta neste sábado no Centro Cultural Minas Tênis Clube seu novo trabalho autoral, o disco “Cada Um”.

A ansiedade do multifacetado artista pode vir da aposta em um novo rumo para o trabalho. “É um álbum que tem um caráter mais íntimo, é mais uma conversa. Dessa vez eu trouxe um pouco menos dessa questão mais mística, de falar sobre e trazer elementos da cultura afro-brasileira e africana”, explica o músico.

Mas, marca registrada de Pererê, a temática não fica totalmente de fora do novo trabalho. “Ela aparece de forma mais subjetiva, quis dialogar com uma sonoridade que transcende um pouco tudo isso”, afirma o músico, que aposta em uma multiplicidade de sons. “O disco tem um traço eletrônico, com elementos que passam pelo Japão, pela Índia. Tem um baião meio eletrônico”, enumera, ressaltando ainda a presença de sons mais orgânicos, vindos de instrumentos como o violão, as percussões e o charango.

O rumo também é diferente nas composições, que contemplam vários momentos da vida de Pererê. “É uma seleção de músicas que venho escrevendo ao longo do tempo, até em momentos de outros discos e que não dialogavam com o que eu fazia naquele momento. Um disco é quase como um livro, tem que ter uma coerência no texto”, pontua o artista.

Reunindo as canções, ele notou algo em comum. “Os assuntos são pessoais, estou falando um pouco até da minha vida como músico. É criado um mito muito grande, de representatividade como se o artista fosse uma entidade”, diz. Aliás, é essa a abordagem que Pererê traz na canção que dá título ao álbum. “A música ‘Cada Um’ coloca isso. Ela vem quebrando esse mito, traz o lugar que é a pessoa artista falando de si mesma. E não o artista como tem se chamado muito hoje, de divos e divas. É uma coisa mais horizontal, falo de perto das pessoas”.

As composições exploram também coisas vividas por ele nos últimos anos. “Falo da partida de alguns amigos queridos, como o Luiz Melodia, o Vander Lee, e a minha mãe. Temos dificuldade em falar da morte na nossa cultura. No disco, o que mais parece com a cultura africana, é a forma como falo da partida de outras pessoas, sem toda a coisa da dor. E ao mesmo tempo resgatando também a beleza da vida, as buscas, a trajetória. Defino esse disco como um grande poema. As músicas vão levar para um lugar específico”, diz Pererê.

A atmosfera do álbum, inclusive, deve permear o lançamento. “Ele tem um equilíbrio de temperaturas. Tem um momento em que é groovado, momentos de canções mais suaves. No show vamos trabalhar essas nuances, com momentos mais reflexivos, mas também dançantes”, adianta o músico.

Sérgio Pererê lança o disco “Cada Um” no sábado, às 21h no Centro Cultural Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2.244 – Lourdes). Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia)

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