
Sergio Telles costuma dizer que é "pouco vendedor". "Guardo ciosamente um núcleo básico de obras para exposições. Do contrário, teria que incomodar colecionadores (para cederem obras necessárias a montagens de mostras)". Alguns exemplos desse núcleo poderão ser vistos em BH a partir de sexta-feira (23), quando a Errol Flynn Galeria expõe pinturas e aquarelas do carioca de 76 anos.
Para esta ocasião específica, foram selecionadas obras que compõem um arco dos lugares pelos quais ele passou mundo afora, e que inspiraram quadros de uma beleza ímpar. "E, sobretudo, telas que ainda não tinham sido vistas aqui", diz.
Diplomacia
Cumpre dizer que muitas dessas viagens aconteceram em função da carreira diplomática de Telles. "A diplomacia me propiciou viagens frequentes e, claro, permanências mais extensas (em alguns países), mas, até por ser pintor, fazia questão de que não houvesse qualquer dúvida quando à minha atuação como servidor público", frisa, afastando a pecha de sinecura.
O contato com outras culturas, diz, enriquece qualquer indivíduo. "Desde que você não viaje com a obsessão do ‘queijo com goiabada’ (risos), que esteja aberto a outros povos". No caso da carreira diplomática, acrescenta, a permeabilidade a outras culturas ajudaria a combater a solidão inerente ao ofício.
"A realidade diplomática é, no fundo, uma pratica de solidão, já que você inevitavelmente parte, e é esquecido".
Mas sim, ele segue viajando. Recentemente, foi a Moscou, onde uma exposição no Museu Pushkin (que já tem um Telles no acervo) é aventada. Ano que vem já está certa uma mostra no Museu da República (DF).
Trajetória
Também será lançado, em BH, o livro "Caminhos da Cor" (405 páginas), que contempla biografia do artista, depoimentos de nomes como Ferreira Gullar e Carlos Drummond e fotografias de seu acervo. E, ainda, ampla catalogação de suas obras
"Biografias geralmente são reiterativas, mas o livro é uma espécie de consolidação da minha trajetória", diz, bem-humorado, lembrando que obras que não correspondam exatamente às suas expectativas são sumariamente destruídas. "Na semana passada, destruí oito. Mas já destrui 40 de uma só tacada. Não sou pretensioso e é aquilo, às vezes você inicia uma obra com boa intenção, mas o quadro se recusa (a corresponder)".