Ela foi uma das mais belas mulheres do mundo e, aos 78 anos – nasceu em 20 de setembro de 1934 – mantém a magia de diva do cinema. Sophia Loren ganha especial na sexta, às 17 horas, no BIO. Única italiana a ganhar o Oscar de Melhor Atriz, em 1962, em uma produção ítalo/francesa, por Duas Mulheres (La ciociara, de Vittorio De Sica, 1960).
Com Marcelo Mastroianni, fez vários filmes. A química com o belo ator funcionava em comédias, como Marido à Italiana, assim como em produções dramáticas - destaque para Una Giornata Particolare (Um Dia Muito Especial, de Ettore Ecolla, 1977): ambientado em 1938, a atriz vive uma dona de casa casada com um fascista, que tem um inesperado encontro com Gabrielle (Mastroianni) seu vizinho, demitido por ser homossexual. Os dois desenvolvem uma amizade especial e intensa.
Sophia Loren nasceu em Roma, em 1934. Aos 14 anos ela e a irmã começaram a trabalhar como modelos, uma forma de vencer a infância pobre. A mãe a incentivou a tentar a carreira de atriz e, aos 17 anos, em 1951, ela conseguiu participar de Quo Vadis, produzido por Carlo Ponti, com quem se casou seis anos depois. O casal ficou separado entre 62 e 66, e reatou. Sophia ficou ao lado dele até 2007, quando morreu.
Atriz premiada, antítese das mulheres magras e longilíneas da atualidade, como outras deusas do cinema das décadas de 40 e 50, Sophia Loren era a sensualidade à italiana. Seios fartos, curvas e uma das bocas mais provocantes de sua época, em um rosto destacado pelos olhos grandes e amendoados. Beleza e talento levaram a romana a Hollywood, participando de filmes como Tentação Morena (Houseboat, de Melville Shovelson, 1958), com Cary Grant e Arabesque, com Gregory Peck, em 1966, pelos estúdios Universal.

Sophia, no auge da beleza, e com Cary Grant em Houseboat (Tentação Morena), filmado em Hollywood
Na belíssima história de Duas Mulheres, adaptada de um romance de Alberto Moravia - com produção do marido Carlo Ponti - ela mostra seu talento dramático. No filme, em preto e branco, vive a viúva Cesira, que deixa Roma durante o bombardeio dos aliados na Segunda Guerra e vai se refugiar em Ciociaria, sua montanhosa região de origem, com a filha Rosseta (Eleanora Brown), de 15 anos. Lá, conhece Michele (Jean-Paul Belmondo), jovem intelectual comunista, que termina sendo morto pelos alemães.
Quando a guerra termina, segue com a filha para Roma, um longo caminho a pé, e uma tragédia. Na capital italiana, dentro de uma igreja, as duas são violentadas por Goumiers - os soldados aliados marroquinos, integrados ao exército francês. Rosseta sofre um colapso mental, apesar da força e do apoio da mãe. Além do Oscar norte-americano, Sophia Loren levou o prêmio de Melhor Atriz em Cannes (1961) e o longa ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme em 62.
Decotes maliciosos
Assim como outras estrelas, Sophia Loren, mesmo que acidentalmente, grafou seu estilo. Os decotes deliciosamente maliciosos, os vestidos de poás, rodados e com cintura marcada, remetiam a uma mulher sensual e livre de códigos de moda.
Lenda do cinema, uma das sobreviventes de uma época de filmes grandiosos e de atrizes memoráveis como Elizabeth Taylor, Marilyn Monroe, Ava Gardner, entre outras, ela ganhou em 1990 um Oscar Honorário por sua contribuição à indústria cinematográfica. Hoje, costuma participar de algumas produções, escolhidas a dedo. A última delas foi em Nine, de 2009, filme que homenageou Federico Fellini.
Recentemente, participou da festa dos 50 anos do icônico Calendário Pirelli - que estampou Penélope Cruz no cinquentená-rio. E foi a musa da “folhinha” em 2007, que tem Uma Thurman como a bela da edição 2014.