“Talisman” registra encontro de Glaucia Nasser com Sammy Figueroa

Cinthya Oliveira - Hoje em Dia
Publicado em 02/11/2014 às 09:53.Atualizado em 18/11/2021 às 04:52.
 (Christopher Drukker)
(Christopher Drukker)

Quando a grande oportunidade aparece, não pode vacilar. Tem que agarrá-la. Foi o qur Glaucia Nasser fez, quando teve a chance de abrir o show do amigo Chico Pinheiro na Galeria de Jazz da WDNA, em Miami. Foi nessa ocasião que ela conheceu Sammy Figueroa, percussionista nova-iorquino que já tocou com muitas das figuras mais interessantes da história da música, como Miles Davis, David Bowie e Mick Jagger.

“Ele veio ao camarim e me disse ‘sua música tocou a minha alma’. No dia seguinte, nos encontramos numa rádio em que ele tem um programa. A partir dali, começamos a conversar pela internet. Até que eu disse ‘vem fazer um show comigo’. E ele realmente veio. Fizemos uma apresentação no Bourbon Street (em São Paulo), com uma mistura de música latina com a brasileira”, conta Glaucia, mineira de Patos de Minas radicada na capital paulista há cinco anos.

A mistura no palco ficou tão interessante que os dois decidiram investir em um álbum. Conversaram com Rachel Faro (produtora de outros trabalhos de Figueroa), que topou comandar a empreitada. Em dezembro, os dois estavam no Brasil para a realização de um trabalho feito de maneira muito dinâmica. Assim nasceu “Talisman”.

Dinâmico

Foram dois dias para escolher as músicas que entrariam no repertório – a maioria assinada por Glaucia e seus parceiros, além de outras feitas pelos amigos Chico Pinheiro e Bianca Gismonti, que também participam do disco. Os arranjos foram construídos em três dias e as gravação foram feitas em apenas quatro.

“Meus outros discos eram feitos devagar, esse disco inaugurou um estilo de gravar novo para mim. E as coisas aconteceram naturalmente, sem deixar nenhum pensamento interferir na fruição da criação”, afirma.

O álbum poderia ter contado também com a assinatura de Roy Cicala, prestigiado engenheiro de som americano que morreu em janeiro. Era ele quem iria registrar as vozes.

Estados Unidos

Logo depois que o disco ficou pronto (e foi lançado nos Estados Unidos pelo selo Savant Records, especializado em jazz), Glaucia e Figueroa fizeram cinco shows em grandes cidades do leste americano. Tanto imprensa quanto músicos receberam bem o álbum.
 
“Muitas pessoas escreveram sobre o encontro entre a música brasileira e a latina, o que é novo nos Estados Unidos. Mas fizemos esse álbum apenas porque queríamos fazer uma parceria. Não houve a pretensão de fazer algo novo”, diz a cantora.

A expectativa é trabalhar os dois mercados – brasileiro e americano. Por aqui, os shows em São Paulo, Belo Horizonte e outras capitais devem acontecer no ano que vem, mas Glaucia espera viabilizar por meio de algum edital de fomento à cultura.
 
Vida na metrópole facilitou o caminho
 
Radicada em São Paulo há cinco anos, a cantora Glaucia Nasser fez amizade com um bom número de músicos destacados, como Chico Pinheiro, Carlos Careqa e André Abujamra. Amizades que têm sido importantes para ela abrir seus horizontes. “Só aconteceu Sammy Figueroa em minha vida porque antes havia acontecido o Chico Pinheiro”, afirma.

Segundo a cantora, o trabalho na metrópole é o mesmo, se comparado àquele desenvolvido na época em que morava em Patos de Minas. A diferença é que, em São Paulo, tudo acontece com maior intensidade. Felizmente, ela soube aproveitar os bons contatos.

“Tudo aconteceu na hora certa. Para cantar junto com os grandes nomes do jazz, é preciso ter um grande preparo, se não fica difícil aguentar a pressão”, diz a cantora. “Poderia fazer tudo igual em Patos de Minas, mas daqui é mais fácil divulgar o trabalho para o resto do Brasil”.

Glaucia espera conseguir viajar com Sammy Figueroa e banda pelas principais capitais do país. Para isso, ela está entrando em editais públicos de grandes empresas e buscando recursos por meios das leis de incentivo à cultura.

Os caminhos ela conhece. Glaucia já viajou pelo país com recursos da Lei Rouanet e contou com o Proac em São Paulo. “O segredo é ficar no meio do caminho, buscando as oportunidades. Aos pouquinhos, vou conseguindo o reconhecimento. O pessoal do jazz agora já sabe quem é Glaucia Nasser”.

A parceria com Figueroa não deve parar nos shows previstos para Estados Unidos (a partir de maio) e Brasil. Ele já pensa em um segundo álbum, todo em inglês. “Na verdade, ele queria que o primeiro disco já fosse em inglês. Mas eu reforcei a importância de se cantar em português”.
 

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