A primeira faixa já anuncia: a intenção é causar no ouvinte um "piripaque", um movimento incontrolável frente a uma música contagiante. Há cinco anos o mercado esperava pela estréia fonográfica da Gang do Eletro, a mais admirada (pelos moderninhos) banda da cena do tecnobrega paraense. O primeiro álbum, homônimo, chega às lojas via Deck e não deve demorar a invadir as mais diferentes pistas de dança. Afinal, como mostraram os Strokes em seu último álbum, o tecnobrega está em alta.
O grupo é liderado por Waldo Squash, o produtor musical de Belém mais requisitado do momento. Em pouco mais de cinco anos, o artista de 34 anos já foi contratado para mais de cem trabalhos – inclusive pela dupla Pet Shop Boys e pela amiga Gaby Amarantos, fazendo as bases para o álbum de estreia da moça, "Treme".
Com letras bem-humoradas, o quarteto mistura a tradicional batida das "festas de aparelhagem" de Belém com vários outros ritmos – de cumbia e reggaton ao sertanejo e o pop. Tudo pode servir de inspiração, desde que o resultado final seja dançante e divertido.
Do início da banda em 2008 até agora, muitas experimentações foram feitas no laboratório computacional de Waldo Squash. "Cada vez em que vamos fazer músicas novas, outros ritmos vão aparecendo e o nosso som vai ficando diferente. Sem perder a dinâmica do tecnobrega, essa é sempre a base", diz o produtor e compositor.
Hoje, a Gang do Eletro é um dos nomes mais explorados no exterior da produção brasileira. Para se ter uma idéia do alcance do grupo, já teve apresentações no grande festival Worldtronics, em Berlim, e no South by Southwest, nos Estados Unidos. O reconhecimento também veio pelo Prêmio Multishow – a banda venceu a categoria Revelação no ano passado.
"No fim, dá certo"
Waldo Squash não se considera músico. Nunca teve sequer uma aula de violão. Tudo que sabe fazer é baseado em um conhecimento empírico. "Ouço algo estranho e digo ‘está fora do tom. Não sei qual é a nota certa, mas temos que melhorar isso aí’. No fim, dá certo", conta.
A composição de bases para músicas de tecnobrega e eletromelody surgiu na época em que ele trabalhava em uma rádio, há aproximadamente nove anos. Nessa época, ele aprendeu a mexer em programas de simulação de instrumentos musicais, graças ao instinto da curiosidade. Criou uma base, inseriu uma voz, e repassou aos amigos da aparelhagem. Não demorou nada para se transformar em um hit. "Estava numa festa e a música tocou. Bastou o primeiro toque para todo mundo enlouquecer, teve gente até subindo nas estruturas. Aí pensei: ‘e não é que o pessoal gostou mesmo?".
Quase largou essa oportunidade para trabalhar na grande Camargo e Corrêa, mas sabia que não dava para fugir do caminho da música. "Fui DJ a vida inteira. Quando criança, ia às lojas com meu pai para comprar discos. As bases que crio são baseadas nessa experiência de ouvir muitas coisas".