
“Ô da poltrona!”. Aquele velho bordão de Didi Mocó, dirigido aos telespectadores do extinto programa “Os Trapalhões”, caiu em desuso depois que as operadoras de TV por assinatura e video on demand passaram a mirar a palma da mão.
Com a disponibilidade de aplicativos gratuitos para smartphones e tablets, assistir à programação televisiva deixou de ter – agora para valer – um lugar fixo dentro de casa, podendo ser no carro ou no trabalho.
O que não impede que outra tendência continue em alta: a opção pelas telas grandes, que, na contramão dos aparelhos portáteis, ajudam o transformar o ambiente numa sala de cinema, com o auxílio de projetores e telas que chegam a ocupar toda uma parede.
“Acho errado”, assinala o jornalista Renato Silveira, ao perceber o número de jovens que curtem ver filmes numa tela de cinco polegadas. “Há obras que primam por sua fotografia e que exigem uma imersão maior para se entender o que o diretor quer mostrar”, critica.
Para quem é da turma do “80”, a qualidade é a regra. Renato usa um projetor Full HD, conectado a um aparelho de blu-ray numa sala de casa reservada especificamente para esse fim. Os R$ 4 mil investidos nesse “cinema em casa” compensam pela melhor qualidade de imagem e som.
TELINHA
Cristiano Bitres é do grupo do “8”: aquele que prefere não ficar “preso” a uma cadeira. “Posso levar para qualquer lugar”, ressalta o estudante de 16 anos, que gosta de ver filmes de terror e ação em seu celular, de preferência, deitado na cama. “O tamanho (da tela) não impede que você fique focado na trama”.
No caso de Daniel Queiroz, não seria exagero dizer que sua casa virou uma extensão do trabalho. Programador do Cine 104, em Belo Horizonte, ele comprou um projetor de US$ 550 nos Estados Unidos e exibe, em sessão privê, os filmes que entrarão em cartaz logo depois.
“Faço a avaliação deles em casa. Geralmente são enviados para a gente por link, com senha. É só conectar o computador no projetor”, registra Daniel, que também recorre à sala particular para fazer a seleção de filmes da “Semana dos Realizadores”, em que é um dos curadores.