
O texto que Fernanda Torres escreveu para o blog #AgoraÉQueSãoElas, da Folha de S. Paulo, teve uma grande repercussão na internet, recebendo críticas fervorosas de feministas. No texto intitulado “Mulher”, a atriz e escritora trata de vários assuntos e encerra com um parágrafo, no mínimo, polêmico:
“A vitimização do discurso feminista me irrita mais do que o machismo. Fora as questões práticas e sociais, muitas vezes, a dependência, a aceitação e a sujeição da mulher partem dela mesma Reclamar do homem é inútil. Só a mulher tem o poder de se livrar das próprias amarras, para se tornar mais mulher do que jamais pensou ser”.
Fernanda fala ainda sobre as cantadas que sua babá recebia na rua. Segundo suas palavras, ela era “um avião de mulher”. “Uma mulata mineira chamada Irene que causava furor onde quer que passasse. Eu ia para a escola ouvindo os homens uivando, ganindo, gemendo, nas obras, nas ruas, enquanto ela seguia orgulhosa”.
Por meio do site Medium, a a jornalista Carol Patrício escreveu uma resposta, intitulada “Refém”, em que todas as falas de Fernanda são rebatidas. “Infelizmente, Fernanda, o Brasil está mais perto da Índia e seus estupros coletivos que contam com a vergonha da mulher em denunciar do que da Alemanha e sua vontade de se distanciar da história de terror do seu passado. O flerte não é um problema, mas o flerte não é o assédio, não é a cantada de rua, não é a cultura do estupro que nos convence de que mulheres existem para servir os desejos sexuais dos homens”, escreve a jornalista.
A polêmica surgiu um dia depois de a página feminista Não Me Kahlo fazer uma campanha nas redes sociais para que mulheres pudessem discutir casos de luta contra o machismo, usando a hashtag #SouFeministaPq.