Tiradentes se rende ao talento da atriz Simone Spoladore

Paulo Henrique Silva - Do Hoje em Dia
Publicado em 18/01/2013 às 06:55.Atualizado em 21/11/2021 às 20:45.
 (Divulgação)
(Divulgação)

Simone Spoladore retorna nesta sexta-feira (18) a Tiradentes, onde esteve em 2002, para acompanhar a exibição de “Lavoura Arcaica”, filme que marcou a sua estreia no cinema. Curiosamente, ela retorna à cidade histórica mineira na condição de grande homenageada da 16ª edição da Mostra de Cinema, importante plataforma de filmes independentes.

Em entrevista ao Hoje em Dia, após um dia intenso de gravação na novela “Balacobaco”, da Rede Record, ela faz questão de dividir seu prêmio com os diretores com quem trabalhou. “A maioria são primeiros filmes dos diretores, em que a gente nunca sabe o que vai dar”, ressalta.

O risco, no entanto, foi recompensador. Entre os nomes que a comandaram no set estão Luiz Fernando Carvalho (“Lavoura Arcaica”), Helena Ignez (“Canção de Baal”), Felipe Hirsch (“Insolação”) e Eduardo Nunes (“Sudoeste”), que lhe deram os melhores papéis de sua extensa carreira –mais de 20 longas-metragens.

“Fazer cinema é a realização de um sonho. Fico muito feliz em receber um roteiro e poder começar um filme. É a possibilidade de conhecer um universo novo”, assinala Simone, que tem usado a televisão para investir no ingrediente humor, não muito comum nos seus filmes.

“Eu me divirto muito fazendo uma personagem exagerada, caricata. É bom também para dar uma refrescada, aprendendo a rir um pouco de mim mesma”.

De madeixas loiras, por causa da Violeta de “Balacobaco”, ela também aproveitou o novo visual para interpretar Marilyn Monroe no teatro, em “Depois da Queda”. Os elogios culminaram na indicação ao Prêmio Shell de melhor atriz. “Não é fácil dar conta dessa sensualidade que ela (Marilyn) transmitiu”, comenta.

O ano começa com homenagem na 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes e ainda pode ser coroado com um prêmio Shell (pela peça “Depois da Queda”). Sem falar no sucesso colhido com a personagem Violeta, da novela “Balacobaco”, da Record. Ou seja, três formas de expressão em que você está em evidência atualmente.

Estou muito feliz. Tiradentes é um espaço que valoriza a produção mais experimental e possibilita o debate. Vejo esse prêmio como uma homenagem aos diretores com os quais trabalhei, a maioria deles interessada na linguagem cinematográfica. É importante valorizar esse tipo de cinema no Brasil, indo além do comercial.

Se colocarmos na balança, você fez mais filmes independentes do que trabalhos comerciais. É algo intencional ou porque você passou a estar, na avaliação dos realizadores, vinculada a esse tipo de produção?

As duas coisas andam juntas. Tem a ver com o meu desejo de experimentar sempre. Boa parte dos meus filmes foi uma aposta arriscada. A maioria são primeiros filmes dos diretores, em que a gente nunca sabe o que vai dar. Assumi esse risco pelo dever de aprender e gostar de estar no set.
 
Apesar de muito nova (33 anos), você tem uma filmografia extensa, com vários títulos premiados. Talvez seja a atriz de sua geração que mais faz filmes atualmente, não é verdade?
 
Não sei lhe dizer, mas com certeza estou entre as atrizes que mais fazem filmes. Fazer cinema é a realização de um sonho. Fico muito feliz em receber um roteiro e poder começar um filme. É a possibilidade de conhecer um universo novo. A gente aprende muito sendo atriz. São as duas coisas que mais gosto de fazer: atuar e aprender.

Uma das características do cinema da dita “retomada” é a maior participação dos atores no processo criativo dos filmes, tornando-se praticamente coautores. Você vem recebendo essa oportunidade de pensar um novo trabalho em conjunto com os diretores?

Depende do projeto, mas, em geral, participo bastante. Um exemplo é “Sudoeste” (lançado comercialmente no ano passado), em que o diretor Eduardo Nunes foi muito aberto a sugestões.

Essa participação maior na criação tem proporcionado novos desafios para os atores, tanto no mercado internacional quanto atrás das câmeras. Um desses caminhos lhe interessa?

Interessa, ainda que de forma embrionária. Vou cuidar disso com muito carinho, num projeto que me motive particularmente. Não é de uma hora para outra que serei diretora. Em relação a atuar no exterior, tenho vontade de fazer filmes no Chile, em Portugal e na Espanha, por exemplo, mas por enquanto não deu tempo de fazer um movimento em direção disso. É algo em que você precisa investir.

Seus personagens geralmente são misteriosos, cheios de segredos ou traumas. A explicação está num rosto ou num jeito de atuar?

Apesar de carregar certa complexidade, o personagem de “Elvis & Madona” tem uma leveza. É engraçado. As histórias vão chegando e vamos experimentos trajetórias. Acredito que todos (personagens) têm um diferencial. Basta comparar a cantora lírica de “Natimorto” com a Clarissa de “Sudoeste”, em que faço uma interpretação mais minimalista.

Você sente falta de fazer uma comédia rasgada? O mais próximo disso que chegou foi em “Elvis & Madona”, não é verdade?

Tenho experimentado isso na televisão. A Verônica, de “A Bela e a Feia”, e a Violeta, que estou fazendo em “Balacobaco”, têm esse humor mais rasgado. É muito interessante, pois possibilita usar outros recursos. E eu me divirto muito fazendo uma personagem exagerada, caricata. É bom também para dar uma refrescada, aprendendo a rir um pouco de mim mesma. Assim vamos descobrindo as muitas camadas, compreendendo que somos multifacetados.

Marilyn Monroe é a primeira personagem que você faz baseada numa pessoa que existiu. Como é interpretar esse ícone quando o nome dela foi bastante lembrado no ano passado, por causa dos 50 anos de sua morte? Você gosta do trabalho dela, que divide a opinião de muitos críticos – com alguns dizendo que não era uma atriz de fato?

Tive muito medo no começo. Não é fácil dar conta dessa sensualidade que ela transmitiu. É preciso ter muita coragem. Mas mergulhei na faceta mais humana dela, não tentando reproduzir o mito. Pesquisei muito o início da carreira dela, antes de ser Marilyn. E houve os diários. Ela escrevia muito, o que me ajudou a fazer um caminho por dentro. Para mim, foi uma grande atriz, de estilo único.

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por