
No início, era apenas um projeto despretensioso. Em 2009, Luiz Rocha e Julia Branco uniram forças para um show de homenagem a Caetano Veloso, que seria encenado no evento de lançamento do livro de um amigo – ideia que logo foi batizada como Todos os Caetanos do Mundo.
De lá para cá, o projeto cresceu bastante e contou com diferentes formações. Deixou para trás o conceito de homenagem para tomar um caminho puramente autoral, que inspirou o álbum “Pega a Melodia e Engole”, que será lançado nesta quinta-feira (25) à noite, no Teatro Bradesco.
Caminho
Entre o dia em que o grupo decidiu gravar o disco até hoje, lá se vão vários meses de trabalho intenso e de ansiedade. Primeiramente, houve uma busca por captação de recursos para um projeto aprovado na Lei Estadual de Incentivo à Cultura – não concretizada.
Mesmo sem o dinheiro em mãos, o quarteto fez questão da produção de Chico Neves – que voltou a morar em Minas Gerais há dois anos – e realizou uma campanha de financiamento coletivo pela internet.
“O processo foi ficando longo, fomos gravando com calma, ao longo de um ano. Estávamos muito ansiosos no início, mas o Chico nos tranquilizava, dizendo que um disco tem que ficar pronto quando estiver pronto. Não era preciso cumprir datas, não havia ninguém mandando na banda”, afirma o guitarrista e vocalista Luiz Rocha, lembrando que o processo de finalização do álbum e os shows de lançamento foram financiados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Várias referências
“É um disco com mais interferências do que referências”, afirma Luiz Rocha, ao falar sobre o caminho autoral do grupo. O filho de Dona Canô continuou influenciando os músicos, mas muitos outros nomes da música pop brasileira de diversas épocas estão presentes aqui, de alguma maneira. Um deles, Arnaldo Antunes, não só foi referência, como participa da faixa-título.
Tudo passa por Caetano
Mesmo depois de tomar um rumo autoral, o grupo nunca pensou em mudar de nome, para que Caetano deixasse de ser uma referência explícita. “Qual seria o sentido de mudar?”, diz Rocha, lembrando que muitas bandas grandes começaram com versões para sucessos alheios.
“O Caetano está no meio do nome da banda. Isso quer dizer que tudo passa por ele, não estanca por ele. Ainda temos as palavras ‘todos’ e ‘mundo’ que faz com que haja muita gente dentro da gente”, explica Rocha, que lançou o disco “Ar” em 2013.
Todos os Caetanos do Mundo no Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2244). Nesta quinta-feira (25), 21h. R$ 10 e R$ 5
A banda realizará outro show em Belo Horizonte no segundo semestre, em uma casa noturna ainda não definida. Também tem data agendada em Curitiba e está planejando uma apresentação em São Paulo, em breve