Tom Cruise protagoniza 'A Múmia', numa releitura mais 'real' da história de horror

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
Publicado em 08/06/2017 às 20:25.Atualizado em 15/11/2021 às 08:59.
 (UNIVERSAL/DIVULGAÇÃO)
(UNIVERSAL/DIVULGAÇÃO)

Já foi o tempo em que bem e mal tinham papéis muito acentuados, exagerando em exemplos de bom-mocismo e doses de perversão, respectivamente. Fruto, possivelmente, dos novos ventos sociopolíticos, essa dualidade está presente em filmes como “A Múmia”, protagonizado por Tom Cruise, em cartaz nos cinemas.

O longa pouco tem a ver com as franquias anteriores, lançadas nas décadas de 1930 e 1990, apesar de contar com um caçador de tesouros e, claro, uma poderosa múmia despertada no presente. A principal diferença é que o protagonista não é estudioso de civilizações antigas, como Indiana Jones (“Caçadores da Arca Perdida”).

Cruise interpreta Nick, um soldado americano que busca peças valiosas no deserto iraquiano. O cenário é exemplar de um episódio (a Guerra do Golfo) em que as muitas versões dos fatos borraram as fronteiras entre mocinho e bandido. Não há nada sobre o passado de Nick, do porque de ser individualista e ganancioso.

Dualidade

O grande tema do filme é outra busca – a crença de que o homem pode ainda ter uma essência boa escondida dentro dele. Tudo que cerca o personagem é carregado dessa ambiguidade, como as referências explícitas a “O Médico e o Monstro”, estampadas no personagem do cientista vivido por Russell Crowe, o doutor Henry Jekyll.

O cientista precisa ser constantemente medicado para que seu lado mau não venha à tona, como se pudesse ser isolado e controlado em nosso corpo, de uma maneira racional. Um tema já explorado em “Hulk” e que merecia ser desenvolvido de forma menos burocrática e simplista no filme dirigido por Alex Kurtzman.

De médico e louco...

Chama a atenção, porém, o poder que o cientista exerce. A trama não o relaciona diretamente a governos, como se fosse um cientista louco, mas a facilidade com que acessa lugares e informações evidencia essa ligação. Ironia ou não, a conclusão é que o Estado vive essa dualidade constante, não sabendo a quais interesses servir.

Quem tenta conter o caos é justamente o que, na trama, mais se aproxima de um quadro de loucura e desgoverno, sensação ampliada pela chave zombeteira como Crowe leva o personagem. Curiosamente, as únicas pessoas que não se afastam de seus propósitos são a historiadora e a múmia, essas sim representantes do bem e do mal.

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