Último fim de semana do "Savassi Festival" traz música para todos

Elemara Duarte, Patrícia Cassese e Cinthya Oliveira - Hoje em Dia
Publicado em 19/07/2013 às 08:06.Atualizado em 20/11/2021 às 20:11.
O "Savassi Festival" pede licença para levar o jazz para vários cenários neste fim de semana. Nesta sexta (19), na Noite de Gala, o ritmo chega ao Grande Teatro do Palácio das Artes. Sábado (20), haverá apresentações em várias casas de shows da cidade. E pra galera, de graça, no domingo, os sons invadem o Parque Municipal, às 10 horas, e também, o berço do evento, na esquina das ruas Antônio de Albuquerque e Sergipe, na Savassi, a partir das 15 horas, em três palcos – confira a programação completa ao lado.
 
O festival trouxe misturas e experimentações musicais para BH desde o último dia 10. Nesta 11ª edição, a agenda incluiu 50 shows, em vários espaços. 
 
Um dos pontos altos da programação é esta sexta, na Noite de Gala. Nela, o improviso vai se misturar com o ensaiado e, conforme o compositor e pianista nova-iorquino Cliff Korman, se bater um "medo" do resultado dessa mistura: "Que bom!".
 
Nobres companhias
 
O "improvisador", como gosta de ser chamado, lançará a peça "Interventions". Ele sobe ao palco com quarteto de jazz (bateria, guitarra, baixo e saxofone), juntamente com a Big Band Palácio das Artes e a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, sob a regência do maestro Nelson Ayres. Cá pra nós, não é pouca coisa. Mãos frias e expectativa.
 
Cliff, 56 anos, está radicado em BH, com mala, cuia e família, há cerca de três anos. É professor da UFMG e, no currículo, tem trabalhos ao lado de brasileiros como as cantoras Zezé Motta, que lhe apresentou a cultura tropical daqui, e Leny Andrade, além do clarinetista Paulo Moura (1932 -2010), e dos mineiros Wagner Tiso e Toninho Horta.
 
O chamado
 
"A música brasileira me chamou. É um balanço em que fico à vontade", justifica, já em bom português. A peça de 45 minutos vai alternar linguagens sinfônicas, jazzísticas e de música contemporânea. "Prelúdio, cinco movimentos e muito improviso entre eles", descreve Cliff.
 
Ainda na noite de hoje, haverá homenagem ao pianista Túlio Mourão, que receberá o Prêmio Jazz de Minas, e o lançamento de outra obra: "Tempestade de Triângulos", do baterista californiano, também radicado em BH, Jimmy Duchowny. 
 
"Interventions" será reapresentada na manhã de domingo, com o mesmo aparato desta noite, no Parque Municipal. "Improvisar é um risco muito prazeroso, para a gente e para o público".
 
Projeto instigante reúne Mancini e Duchowny
 
No final de 2012, o azulejista mineiro Alexandre Mancini comentou com o baterista americano (radicado no Brasil) Jimmy Duchowny sobre a ideia de musicar desenhos. "Desde 2010 vinha tentando, mas sem muito sucesso", diz ele. Jimmy embarcou de primeira "e começamos a discutir sobre os conceitos que norteariam nosso trabalho". 
 
Mancini sempre foi muito ligado à música minimalista (Steve Reich, Philip Glass e outros). "E Jimmy é um jazzista nato. Tentamos encontrar um ponto de equilíbrio entre estas influências". Os dois, então, chegaram ao nome de Ornette Coleman. Daí veio a dúvida de como a dupla trabalharia todas as referências como algo particular. "Sob o argumento que arte concreta é geométrica e a geometria é, naturalmente, matemática, assim como a música, começamos a criar o que chamamos de ‘Geometric Jazz’".
 
O resultado será apresentado nesta sextaao público, na primeira parte da Noite de Gala do "Savassi Festival". "Para a estreia, trabalhamos um desenho que criei para um painel que será assentado em breve, no Mangabeiras, o ‘Tempestade de Triângulos’. A obra utiliza três módulos de azulejos e tem uma montagem que respeita uma estrutura rígida. "Minha função foi detalhar divisões, movimentos e ritmo da obra, e coube ao Jimmy compor a música que traduzisse fielmente estas características, com plena liberdade. Como uma autêntica obra de arte construtiva, toda a criação é feita preliminarmente sendo que a obra só será finalizada com a apresentação ao vivo", antecipa.
 
Os dois convidaram Mark Lambert (guitarra), Pablo Souza (baixo acústico) e Julio Merlino (sax) para o palco. Mancini será "representado" pelo desenho, que será projetado. Vale lembrar que Jimmy participou ativamente de todas as edições do "Savassi Festival". Mancini, de outras tantas, como discotecário e com a mostra de painéis "Jazz Modular", quando criou capas de discos imaginários para músicos de BH. "Somos, de alguma forma, frutos do festival".
 
Irene Bertachini leva álbum para o palco
 
Uma das principais características do "Savassi Festival" é dar oportunidade para que jovens músicos possam promover seus recém-lançados discos. Depois de Jennifer Souza e Pablo Passini, é a vez de Irene Bertachini mostrar seu novo trabalho dentro do evento. O show acontece nesta sexta, às 20h30, na Fundação de Educação Artística (rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários). A entrada custa R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). 
 
O show será um pouco diferente do realizado no teatro Oi Futuro em maio, para o lançamento oficial de "Irene Preta, Irene Boa", pois contará com menos músicos no palco. Mas o que importa é que os arranjos de Felipe José e Rafael Martini serão respeitados ao máximo (baixe de graça em IreneBertachini.com).
 
"São músicas que fiz ao longo de muito tempo, construídas de forma diversa, e os arranjos conseguiram dar uma unidade à minha produção", conta Irene. 
 
Em "Irene Preta, Irene Boa", também é possível encontrar um pouco do que a artista já desenvolve no Urucum na Cara. Tanto que a faixa "Erê" também faz parte do repertório do grupo. "Trago comigo o que aprendi sobre nossas matrizes africanas e meus estudos em etnomusicologia". 
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