
Após embarcar com o pai, Horácio, e com o irmão, Pedro, numa viagem de dois anos e três meses pelas vinícolas de 271 cidades em 34 países, totalizando quase 90 mil quilômetros, Natália Barros trouxe na bagagem, além da degustação de 2.951 vinhos diferentes, o aprendizado com as diferenças. A fisioterapeuta de 30 anos, que só entrou nessa jornada para ajudar o pai a concretizar o seu sonho, lembra que os primeiros meses de convivência dentro de um motorhome foram muito difíceis. “Tenho uma vida inteira com eles, mas é diferente passar 24 horas do dia, tomando decisões em conjunto”.
Engenheiro aposentado, Horário é prático e imprevisível. Muito diferente da filha, organizada ao extremo. “Resultado: brigamos muito no início. Para prosseguir, tivemos que aprender a lidar com essas diferenças”, destaca Natália, que prepara para breve o lançamento de um diário da Wine World Adventure. A publicação não se contentará apenas com a constatação de que “planejar demais não é legal e que se organizar de menos pode levar ao erro”.
Sobrarão casos curiosos e momentos de adversidades da viagem (encerrada em março), como um tornado na Nova Zelândia e um terremoto no Chile. O trio também descobriu cenários exuberantes, na Argentina e na África do Sul, e, no campo dos apreciadores da bebida de Baco, provou e aprovou vinhos da Nova Zelândia e da região da Califórnia, nos Estados Unidos. Das vinícolas americanas, ela garante: “Até as garrafas mais baratas têm um nível de qualidade muito alto”.
Filme e muito mais
Além da publicação de um diário e de outros dois livros (um sobre vinhos e outro de fotografias), a família pretende transformar o motorhome de 27 m2 num wine truck, seguindo a moda das comidas servidas em veículos. Enquanto aguardam a aprovação de legislação específica, eles já têm agendados vários eventos privados.
Os Barros também esperam criar um Wine Club, em que os associados receberiam em sua casa algumas garrafas de marcas que não são conhecidas no Brasil. Outro projeto é um documentário com as imagens colhidas durante a viagem enoturística, algumas delas captadas por Natália, que não espera a hora de trocar a fisioterapia pelos cursos de vinho.