Uruguaio diretor de "Whisky" vem a BH e prepara filme de zumbi no Brasil

Marco Rodrigo Almeida - Folhapress
Publicado em 17/08/2013 às 13:01.Atualizado em 20/11/2021 às 21:03.

SÃO PAULO - O cineasta Pablo Stoll é um dos principais nomes da geração latino-americana que despontou no começo dos anos 2000. Colocou o Uruguai no mapa do cinema mundial com os longas "25 Watts" (2001) e "Whisky" (2004), ambos dirigidos em parceria com Juan Pablo Rebella (1974-2006).

A partir da próxima segunda (19), Stoll passará duas semanas em Belo Horizonte, onde vai ministrar um curso de direção na escola Lugar de Cinema. A relação com o Brasil deve ganhar força em 2014. Ele pretende rodar no Chuí (Rio Grande do Sul) cenas de seu próximo filme. "El Tema del Verano", adianta ele, "começa como uma comédia, se transforma em um thriller e termina com zumbis".

O novo projeto, em fase de captação de recursos, promete dar novos ares à carreira do diretor, marcada por obras minimalistas sobre a solidão, o tédio e o vazio existencial. Após o suicídio do parceiro Rebella, ele dirigiu sozinho "Hiroshima" (2009) e "3" (2012), também sobre personagens sem rumo.

"Quando vejo um filme, interessa emocionar-me, em geral por meio de histórias próximas e cotidianas. Sempre fiz filmes que gostaria de ver e isso é o que me atrai", comenta o diretor. Extrair beleza do banal é um dos tópicos que Stoll pretende debater com os alunos de seu curso em Belo Horizonte, embora ele mesmo assuma que "o talento é algo que não se pode ensinar".

"A direção tem muito de ofício e, como em qualquer outro, se pode aperfeiçoar filmando muito e refletindo sobre o que foi filmado. Me parece muito importante que os diretores filmem muito e pensem sobre o que fizeram. Creio que é a única forma de aprender", explica. "Não sou um diretor de cinema, sou um espectador que gosta de contar suas próprias histórias e espera, algum dia, aprender o máximo possível de seu ofício."

Em 2004, quando "Whisky" acumulou prêmios em Cannes e em outros festivais, o Uruguai não produziu mais que quatro filmes, comenta o diretor. Quase dez anos depois, a produção do país aumentou (dez filmes uruguaios chegaram aos cinemas no ano passado, diz Stoll), mas muitos problemas, em geral semelhantes aos dos demais países da América Latina, persistem. "Há muito pouco espaço nas salas de cinema e os filmes uruguaios são marginalizados pelos exibidores, que preferem lançar os longas americanos."

Cinema brasileiro

Clássicos do cinema brasileiro foram marcantes na formação de Stoll. Ele cita especialmente "Limite" (1931, de Mário Peixoto)-"é genial"- e "Rio 40 Graus" (1955, de Nelson Pereira dos Santos) -"mais moderno que a maioria dos filmes que se faz hoje na América Latina". Mas da produção brasileira recente conhece pouco.

"É virtualmente impossível ver um filme brasileiro nas salas uruguaias. Os atores brasileiros são conhecidos pela televisão. Os filmes, por mais comerciais que sejam, não estreiam."

Serviço
Curso de Imersão em Direção para Cinema, de 19 a 31 de agosto, no Lugar de Cinema (Rua Calábria, 335 - Bandeirantes). Inscrições: R$ 1.998. Informações: 31 3658-2016

 

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