Verde dentro de casa, espaços integrados e cores quentes: arquitetos apontam tendências de 2026
Mostra reúne diferentes interpretações sobre conforto, convivência e bem-estar na residência

Natureza dentro de casa, ambientes sociais integrados, materiais naturais e cores mais quentes estão entre as apostas de arquitetos para o morar em 2026. As tendências aparecem nos projetos apresentados na CASACOR Minas, que abre neste sábado (15), na PUC Minas Lourdes, em Belo Horizonte, e reúne diferentes interpretações sobre conforto, convivência e a relação dos moradores com os espaços.
No Living e Jardim de Inverno, a arquiteta, designer de interiores e paisagista Myrna Porcaro colocou o verde no centro da experiência. Plantas, água e obras de arte dividem o espaço com o mobiliário, em uma composição pensada para aproximar o morador da natureza mesmo dentro de casa. "A principal pegada é a conexão do cliente, do usuário com a natureza. Sem sair de casa", afirma Myrna. Segundo ela, mais importante do que seguir uma tendência específica é criar ambientes capazes de proporcionar experiências.
A vegetação, no projeto, não funciona apenas como complemento. O jardim de inverno é tratado como protagonista e reúne espécies adaptadas à menor incidência de sol. Até a escolha das obras de arte acompanha essa proposta, com trabalhos ligados ao tema da natureza.
O movimento se espalha por outros ambientes da mostra. A Cabana Wellness, de Fabíola Constantino, utiliza pedra-sabão, madeira, aromas, banho de gelo e banho turco em uma proposta voltada ao cuidado físico e mental. Já o Jardim Bem-Estar, de Nãna Guimarães, aposta em espécies aromáticas, como lavanda e alecrim, e plantas que respondem ao movimento do vento.
Integração continua forte
Para Estela Netto, a integração das áreas sociais continua sendo uma demanda importante nos projetos residenciais. No Interlúdio, hall, lavabo, espaço gourmet, jantar e estar se conectam, e o percurso termina em uma academia residencial. "As áreas sociais precisam ser integradas, sem dúvida. Você quer curtir com a família, com os amigos, todo mundo junto", afirma.
A arquiteta também aposta em madeira e rochas naturais brasileiras. O projeto utiliza carvalho europeu no piso, marcenaria nas paredes e pedras naturais no espaço gourmet, no bar e no lavabo.
Na paleta, Estela trabalha com uma base neutra e pontos de cor. Entre os movimentos que ela acredita que devem permanecer estão os tons mais quentes, mas sem transformar a casa em um espaço excessivamente ligado a modismos.
A integração aparece também no Canvas, do Estúdio Sala, onde cozinha, estar, spa e espaço para ouvir música deixam de funcionar de forma independente e passam a formar uma única experiência de convivência.
Menos moda, mais permanência
No home office Entre Performance e Pertencimento, Rodrigo Maakaroun, do Castro Maakaroun Design, parte de outra preocupação: criar um ambiente que não fique datado rapidamente. A mesa de trabalho foi deslocada do centro do espaço para dividir protagonismo com áreas ligadas à convivência familiar, memória, fé e arte.
O projeto também combina materiais de diferentes custos, como MDF e lâmina natural, para mostrar que acabamentos mais sofisticados podem ser utilizados de forma pontual. O escritório trabalha com uma base clara e neutra, inspirada em referências da arquitetura japonesa, para permitir que obras de arte, objetos e outros elementos possam ser trocados ao longo do tempo sem exigir uma transformação completa do ambiente.
A preocupação com permanência também aparece em outros projetos. No Refúgio Entre Tempos, de Bárbara Antunes, curvas, materiais naturais e texturas acolhedoras sustentam uma proposta de "sofisticação silenciosa". Já a Casa para Durar, do Studio 126, aposta em um espaço contínuo e em soluções construtivas que transformam os próprios materiais da obra em parte da linguagem arquitetônica.
Casa como lugar de bem-estar
Além da integração e dos materiais naturais, a busca por espaços voltados ao descanso aparece repetidamente no circuito. O Living e Jardim de Inverno, a Cabana Wellness e os diferentes jardins reforçam uma casa pensada não apenas para cumprir funções, mas também para proporcionar sensação de acolhimento.
No paisagismo externo, o projeto Entretempos trabalha vegetação em camadas, combinando árvores, arbustos, plantas aromáticas, floríferas, água e fogo para criar uma experiência sensorial. Já a Varanda de Convivência, de Ana Mendes, aproxima arquitetura, paisagismo e tecnologia em um ambiente voltado ao encontro e à permanência.
As propostas mostram leituras diferentes, mas convergem em um ponto: o projeto da casa passa cada vez menos por seguir uma estética passageira e mais por criar espaços adequados à rotina, à convivência e ao bem-estar de quem mora neles.
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