
Basta tocar o interfone para entrar no universo da galeria de arte Mama/Cadela. Após cinco anos com as portas fechadas, e depois de passar por uma grande reforma nos últimos meses, a casa no bairro Santa Tereza, que possui como marca registrada uma única janela vermelha na fachada, acaba de inaugurar uma nova fase em sua história.
Fundada em 2005 por dois jovens estudantes da Escola Guignard, Gustavo Maia e Ronaldo Garcia, a galeria Mama/Cadela surgiu, a princípio, para abrigar uma única exposição.
“Precisávamos de um espaço e lembrei da casa dos meus avós que estava abandonada e que se tornou nosso suporte. Depois, vieram outras intervenções artísticas de forma esporádica e o espaço foi se consolidando. Muita gente bacana passou por aqui até fecharmos em 2009”, conta o artista plástico e gestor da casa, Gustavo Maia.
Espaço aberto
De um lugar voltado para a experimentação, a galeria Mama/Cadela volta à ativa com a proposta de oferecer uma programação contínua de exposições e um projeto de diálogo cultural com a cidade, a partir de intervenções, visitas orientadas e eventos artísticos.
“Vamos realizar projetos educativos com o objetivo de democratizar o acesso à arte e promover a formação de público. Muitas pessoas não sabem que a galeria que comercializa arte também está aberta para visitação. Queremos quebrar esse conceito”, esclarece a coordenadora da galeria, Marci Silva.
O espaço passou por uma reforma na estrutura. Os antigos frequentadores vão sentir falta da piscina, que já foi palco de um duelo de DJs. O local se tornou um espaço multifuncional pronto para receber os diversos tipos de manifestação artística.
“Vamos ter programação durante o ano todo com foco na arte contemporânea”, frisa Maia.
Recomeço
Para celebrar o recomeço, os gestores do espaço convidaram o artista plástico Manuel Carvalho para abrir o calendário de exposições com a mostra “Empate”, que fica na Mama/Cadela até 29 de novembro.
São 27 telas de várias dimensões que mesclam diversas técnicas de pintura, divididas em quatro séries: retratos, anacoluto, empate e paisagens. Um trabalho que, de longe, remete à colagem, mas de perto é pura tinta.
“Meu trabalho é muito experimental, uso novas técnicas, novos temas. Para mim arte é uma pesquisa que não tem fim”, define o artista, que na mostra “Empate” trabalha a dialética estruturante entre nudez e velamento.
Manuel tem relação antiga com a galeria e, por este motivo, foi o nome escolhido para reinaugurar o espaço. “Ajudei a produzir o antigo Mama/Cadela e fiquei muito feliz com o convite de voltar agora, porque é um espaço onde construí uma história ao lado de grandes amigos”.