Vozes que ecoam em ‘Nós’: novo espetáculo do Galpão tem estreia marcada

Vanessa Perroni
vperroni@hojeemdia.com.br
Publicado em 05/04/2016 às 17:21.Atualizado em 16/11/2021 às 02:48.
 (Guto Muniz/Divulgação)
(Guto Muniz/Divulgação)

No fim do ano passado o público pôde mergulhar no processo de criação do novo espetáculo do grupo Galpão. Agora, estamos a apenas dez dias da estreia de “Nós”, como foi batizada a 23ª montagem da companhia.

Em cena, os atores Antonio Edson, Chico Pelúcio, Eduardo Moreira, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia, Paulo André e Teuda Bara, que, enquanto preparam sua última sopa, debatem, sob um prisma político, questões do mundo contemporâneo. Eles levantam temas como a violência, intolerância e o convívio com a diferença. “Partilham muitas angústias, esperanças e ‘nós’. A relação entre o que é público e privado influenciou muito esse trabalho”, comenta o diretor de Marcio Abreu, convidado para o trabalho em maio de 2014. 

Os temas são abordados ao passo que situações de opressão e de convívio com a diferença se desenrolam no preparo da sopa. “Elas são provocadas pelas relações de proximidade entre artista e espectador, ator e personagem, cena e plateia, realidade e ficção. A peça é cheia dessas dicotomias”, revela o diretor. 

Desatando nós
O nome do espetáculo traz uma ambiguidade consciente. Além do sentido de coletivo, que é proeminente no espetáculo, também se refere aos temas abordados e à própria relação dos personagens em um exercício de desatar esses nós. “Os personagens ecoam vozes sociais. É a forma como a sociedade responde ao mundo como ele nos chega hoje. Como cada um reage a ele”, elucida Abreu.

Dessa forma, a arte articula o real sem reproduzir a realidade. “Não destilamos verdades ou opiniões como mensagem. Esse não é o lugar da arte. Apenas levantamos essas questões sobre as quais a peça é estruturada”, adverte o diretor. Mas ela termina com uma possibilidade de recomeço, intervém o ator Eduardo Moreira. “Fica uma esperança e uma ideia de utopia na qual essas diferentes vozes possam dialogar de forma harmônica”, acrescenta.

No espetáculo, o público também é um elemento dramatúrgico. “Tem cenas que começo sentado no meio da plateia. Ou por vezes ando entre os espectadores, que são as vozes que permeiam o texto que construimos coletivamente”, exemplifica o ator Chico Pelúcio. A ideia é pluralizar as reações diante das violências colocadas em cena.

Serviço:
“Nós” – Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3.613). De 16/4 a 15/5. Quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 19h. Ingresso: R$ 40 e R$ 20 (meia). As vendas iniciam amanhã pelo sympla.com.br/galpaocinehorto

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