É um alívio ver o Professor Xavier nas cenas pós-créditos de “Wolverine: Imortal”, que entra em cartaz a partir desta noite. Sinal de que o mais importante mutante do grupo X-Men não estará mais sozinho. O personagem parece fadado a funcionar como filme apenas quando junta forças com os colegas da Mansão X.
Embora atenuados nesta segunda aventura solo, os problemas de “X-Men Origens: Wolverine” (2009) persistem, como a mistura insossa de drama romântico e ação movida por vingança. Mais uma vez os produtores provam que não sabem o que fazer com o herói de garras de adamantium.
Por já carregar fortes conflitos interiores que sempre definiram sua personalidade inconstante, Wolverine não pode seguir a onda atual de personagens dark e ambíguos, transformação sofrida com sucesso por Batman e Superman. Muito menos tem humor suficiente para seguir o Homem de Ferro em seu estilo pop.
Patinho feio
Está mais para um Hulk e seus momentos de incontrolável fúria. Curiosamente, o monstro verde, que igualmente rejeita os poderes adquiridos, buscando constantemente ser um humano normal, é um patinho feio entre os Vingadores, com duas tentativas em filmes solos que também não deram muito certo.
Nos dois casos, a escolha dos diretores contribuíram para os caminhos equivocados. Com Hulk, foram de um diretor conceitual (Ang Lee) para um realizador de fitas-porrada (Louis Leterrier). Com Wolverine, partiram de um nome sul-africano, que assinou dramas fortes (Gavin Hood), e agora optaram por alguém que assinou dramalhões como “Kate & Leopold” e “Johnny & June”: James Mangold.
As relações em “Wolverine: Imortal” são pautadas por um despropositado sentido over numa trama rasa, gerando sequências constrangedoras como o fantasma da amada Jean Grey (Famke Janssen) dando conselhos ao mutante enquanto ele tenta investir num novo amor em cenário japonês.
Por sinal, a cultura do país nipônico é vista com todos os clichês possíveis, que vão dos samurais e ninjas, passando pelos haraquiris dos soldados da Segunda Guerra Mundial, até chegar na Yakuza (a Máfia local) e as garotas pintadas como bonecas. Tudo isso para justificar as muitas (e inverossímeis) traições numa família à qual Wolverine se vê ligado.