‘Ainda há muito para acontecer’, diz modelo mineira Mavi Garcez sobre carreira internacional
De Belo Horizonte às passarelas de Paris, jovem conquista a Gucci e desponta como um dos nomes promissores da nova geração da moda

Mavi Garcez, modelo mineira de 18 anos, começa a conquistar espaço no mercado internacional da moda. Um dos destaques recentes de sua trajetória é o desfile para a Gucci, grife de luxo com a qual também assinou um contrato de exclusividade. Ainda no início da carreira, ela desponta como um dos nomes promissores da nova geração de modelos.
Natural de Belo Horizonte, Mavi se mudou para Paris aos 15 anos, depois de iniciar a preparação profissional ainda na adolescência. Filha de modelo, cresceu em contato com a profissão, mas seu interesse inicial estava ligado às artes — ela chegou a estudar teatro antes de decidir investir na carreira nas passarelas.
A trajetória internacional também tem a participação do agente Miguel Crispim, natural de Itabira, em Minas Gerais, e radicado em Nova York, que atua na gestão e no desenvolvimento da carreira de modelos no exterior.
Em entrevista ao Hoje em Dia, Mavi relembra o início da trajetória profissional, fala sobre a mudança de Belo Horizonte para Paris e conta como enfrentou os desafios de morar sozinha em outro país ainda muito jovem. A modelo também aborda a relação com a família, a experiência de trabalhar para uma das grifes mais conhecidas do mundo e os planos para o futuro, além de aconselhar outras jovens mineiras que sonham em conquistar espaço na moda internacional.
Como o fato de ser filha de modelo e ter crescido vendo sua mãe trabalhar na área, além de suas raízes em Belo Horizonte, influenciou seu desejo de seguir carreira na moda?
Eu sempre gostei muito de moda, mas nunca pensei, de fato, em ser modelo. Sempre fui muito ligada à arte e me identificava mais com o lado artístico. Inclusive, estudei teatro.
Na adolescência, comecei a ficar mais alta, e minha mãe e alguns amigos dela, que já trabalhavam com moda, começaram a me incentivar a investir em uma carreira como modelo. Foi então que entrei para uma agência, comecei a me dedicar e passei a enxergar a profissão de uma forma mais séria.
Você começou a ser acompanhada e a se preparar para o mercado com apenas 14 anos, embora a idade mínima para trabalhar como modelo costume ser 16. De que forma esse trabalho prévio de desenvolvimento e preparação corporal e estética ajudou você a chegar pronta ao mercado internacional?
Foi uma preparação bem planejada e sem pressa. Como eu tinha apenas 14 anos e só poderia começar a trabalhar aos 16, tivemos bastante tempo para que tudo acontecesse de forma tranquila e no momento certo.
Como sempre fui muito magra e alta, não precisei mudar nada na minha estrutura. O foco foi mais no desenvolvimento profissional: cuidar dos cabelos, começar a produzir meu material, fazer os primeiros testes e, aos poucos, me preparar para entrar de verdade no mercado.
Aos 15 anos, você foi confirmada por uma agência em Paris e se mudou para lá. Como foi essa transição de Belo Horizonte para um dos maiores centros da moda mundial ainda tão jovem?
De verdade, foi uma das melhores coisas que já fiz na minha vida, principalmente pela minha profissão, porque tive muito mais oportunidades. Mas eu também sempre quis mudar de país, morar fora e sair de Belo Horizonte. Então, mergulhei de cabeça nessa mudança. Não sofri tanto com a saudade da minha mãe e da minha família.
Foi um amadurecimento muito grande e uma evolução como pessoa, porque comecei a morar sozinha e tive que aprender a comprar e preparar minha própria comida, lavar minhas roupas e cuidar da casa. Eram coisas com as quais não precisava me preocupar quando morava com a minha mãe.
Mas nem tudo foi fácil. No início, morei em apartamentos compartilhados com pessoas de diferentes países e culturas, e ainda não dominava bem o inglês. Precisei aprender a conviver com pessoas muito diferentes de mim e a lidar com situações complicadas, inclusive problemas com a organização da casa e o respeito aos horários de descanso. Também houve situações que acabaram interferindo em compromissos profissionais importantes. Tudo isso fez parte do processo de adaptação e contribuiu para o meu amadurecimento.
Hoje você já é apontada como uma aposta internacional, tendo desfilado e assinado um contrato de exclusividade com a Gucci. Como foi ver seu nome associado a uma marca de luxo tão prestigiada logo no início da carreira?
Foi uma sensação muito especial e, sinceramente, ainda parece um sonho. A Gucci é uma das marcas que mais admiro e que sempre consumi. Então, ver meu nome associado a ela logo no início da carreira foi algo muito emocionante para mim.
Fiquei muito ansiosa com tudo, principalmente por saber que estava entrando em contato com uma marca que sempre admirei tanto. Ter a oportunidade de desfilar e fazer parte desse time é realmente muito especial. Viver tudo isso tão cedo na minha carreira é algo que estou aproveitando e valorizando muito.
Com capas de revistas internacionais e grandes marcas de olho no seu trabalho, como você consegue manter a ligação com a família e com Belo Horizonte em meio à rotina em Paris e nos grandes centros da moda?
Sou muito próxima dos meus pais, e estamos sempre em contato por telefone, ligações e videochamadas. Mesmo estando aqui na Europa, eles vêm me visitar, e também viajamos juntos para outros países. Sempre vou para Belo Horizonte no Natal e no Ano-Novo para passar as férias com a família e rever os amigos.
Você é considerada uma revelação promissora, com muito ainda por acontecer na carreira. Quais são seus maiores sonhos e objetivos para os próximos capítulos dessa jornada na alta-costura?
Sim, ainda há muito para acontecer na minha carreira, e quero continuar focada para trabalhar cada vez mais.
Para terminar, olhando para sua trajetória, desde os primeiros passos com acompanhamento profissional na adolescência até os grandes desfiles internacionais, que conselho daria a outras jovens de Belo Horizonte que sonham em conquistar espaço no exigente mundo da moda global?
Eu diria para, antes de tudo, confiar no processo e ter paciência. Nada acontece de forma fácil ou rápida, e a carreira de modelo exige muita dedicação, disciplina e, principalmente, a certeza de que é realmente isso que você quer.
Se esse for seu foco e objetivo, vá atrás, estude, se prepare e não tenha medo de buscar oportunidades. Ao mesmo tempo, acho muito importante procurar profissionais e agências sérias, que possam avaliar seu perfil e orientar seus próximos passos. Infelizmente, existem muitas pessoas que se aproveitam de quem está começando, então é preciso ter cuidado para não cair em furadas.
E, para as meninas de Belo Horizonte, eu diria para acreditarem no potencial de vocês. O caminho pode ser longo, mas, com dedicação, paciência e as pessoas certas ao lado, as oportunidades podem acontecer.
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