Ginástica de Trampolim

'Meu nome está marcado na história do esporte’, diz a mineira Alice Gomes Honorato

Após conquistar a maior nota do Campeonato Brasileiro de Trampolim 2026, ouro-pretana fala sobre trajetória, superação e confiança

Angel Drumond
angel.lima@hojeemdia.com.br
Publicado em 25/05/2026 às 08:39.Atualizado em 25/05/2026 às 08:47.
Após conquistar a maior nota do Campeonato Brasileiro de Trampolim 2026, mineira Alice Gomes Honorato fala sobre trajetória, superação e confiança (Adriano Bissoli/CBG)
Após conquistar a maior nota do Campeonato Brasileiro de Trampolim 2026, mineira Alice Gomes Honorato fala sobre trajetória, superação e confiança (Adriano Bissoli/CBG)

Poucos dias após conquistar o ouro no Campeonato Brasileiro Loterias Caixa de Ginástica de Trampolim por Idades 2026, a mineira Alice Gomes Honorato volta a ter o nome em evidência no cenário nacional da modalidade.

Campeã na categoria Trampolim Individual Adulto, a atleta alcançou a maior nota de toda a competição, 54.120 pontos, resultado que reforçou sua posição entre os principais nomes do trampolim brasileiro.

Natural de Ouro Preto, Alice iniciou no esporte aos oito anos, no Instituto Trampolim, projeto social responsável pela formação de atletas em Minas Gerais. Desde então, construiu uma trajetória de crescimento constante, passando a integrar o Minas Tênis Clube ainda na adolescência e acumulando marcas históricas para o Brasil, como o sexto lugar no Campeonato Mundial de 2023, em Birmingham, além da conquista da vaga olímpica inédita do país na ginástica de trampolim para Paris 2024.

Nos últimos anos, a ginasta também enfrentou períodos de frustração e readaptação. Após ficar fora dos Jogos Olímpicos de Paris, retomou o protagonismo em competições internacionais, conquistou medalha em etapa de Copa do Mundo, voltou a vencer campeonatos nacionais e intensificou a preparação para novos desafios, incluindo o Campeonato Mundial da Espanha e a sequência do ciclo olímpico.

Em entrevista ao HOJE EM DIA, Alice Gomes fala sobre a conquista da maior nota do Campeonato Brasileiro, relembra a trajetória iniciada em Ouro Preto, analisa momentos decisivos da carreira, comenta o fortalecimento mental após frustrações esportivas, destaca a importância do Minas Tênis Clube em sua formação e projeta os próximos objetivos dentro da ginástica de trampolim.

Alice, conquistar a maior nota de todo o Campeonato Brasileiro em uma final adulta mostra um nível técnico muito alto. O que passou pela sua cabeça quando viu os 54.120 pontos no placar?

Acredito que essa nota mostra a evolução da modalidade dentro do Brasil, e o resultado foi consequência de muitos treinamentos e repetições. Senti-me totalmente à vontade e feliz para competir. A sensação foi de dever cumprido.

Você costuma dizer que “a ginástica te escolheu”. Hoje, olhando para a menina que começou no Instituto Trampolim, em Ouro Preto, qual foi o momento em que percebeu que poderia chegar ao topo da modalidade?

Continuo acreditando que a ginástica me escolheu e que nasci para isso. Olhando para trás, só agradeço às pessoas que me ajudaram e a mim mesma por não ter desistido. Sempre soube que eu tinha talento, mas, em 2023, após o Mundial, senti uma confiança muito maior em mim e entendi que estávamos no caminho certo.

Sua trajetória é marcada por resultados históricos para o Brasil, como a vaga olímpica conquistada em 2023 e a final mundial em Birmingham. O quanto essas conquistas mudaram sua confiança como atleta?

O melhor momento da minha carreira esportiva até hoje foi o Campeonato Mundial de 2023. Acho que, com os resultados que tive ali, pude medir o tamanho do meu potencial, pois estava entre as melhores do mundo e terminei em sexto lugar. Foi realmente incrível.

Depois de ficar fora dos Jogos Olímpicos de Paris, você conseguiu transformar a frustração em resultados importantes, como medalhas em Copa do Mundo e novos títulos brasileiros. Como foi trabalhar o lado mental nesse período?

Após um período descansando e cuidando da minha vida pessoal, consegui me sentir melhor sobre as minhas frustrações dentro do esporte. A gente sabe que isso é normal na vida do atleta — na verdade, na vida de qualquer ser humano. 

Estamos sempre sujeitos a passar por situações difíceis. Pude contar com a ajuda da minha psicóloga, Micheli, e fizemos um trabalho de fortalecimento mental. Nunca deixei de acreditar em mim e entendi que só podia focar naquilo que eu controlava. Então, o passado ficou lá. Meu nome está marcado na história do esporte, e o que eu desejo é que isso possa incentivar outros atletas.

Você saiu de Ouro Preto ainda muito jovem para treinar no Minas Tênis Clube. O quanto a estrutura, o apoio e o ambiente do clube foram importantes não só para a sua carreira, mas também para os objetivos que você traçou para a sua vida?

Não tenho dúvidas de que, se cheguei onde estou hoje, é graças ao Minas. No clube, podemos contar com uma estrutura incrível e temos o auxílio de uma equipe multidisciplinar de primeira qualidade. Além de tudo isso, conheci meu marido no clube, formamos uma família, e isso é o mais gratificante.

A ginástica de trampolim brasileira vem crescendo bastante nos últimos anos. Você sente que a modalidade finalmente começa a ganhar mais visibilidade e reconhecimento no país?

O trampolim ainda pode ter muito mais visibilidade. Vejo que isso aumentou bastante ao longo dos anos. A ginástica do Brasil se tornou uma potência mundial, e isso traz visibilidade para a nossa modalidade também. Mas, quanto mais resultados e incentivo tivermos, mais crescimento haverá. Então, vamos continuar trabalhando para que o trampolim seja cada vez mais valorizado.

Aos 27 anos, com tantos títulos nacionais e resultados expressivos internacionais, quais ainda são os grandes sonhos e metas que movem a Alice dentro do esporte?

Hoje tenho mais experiência e mais maturidade e sei que as coisas não chegam de um dia para o outro, que tudo o que conquistei até hoje foi consequência dos meus treinos diários. O que pretendo é manter isso, me esforçar cada vez mais e continuar sonhando com as Olimpíadas e com medalhas mundiais, tanto no individual quanto no sincronizado.

Meu objetivo é fazer a série com três ou quatro triplos e conseguir aumentar a minha pontuação a cada competição. Não coloco limite, quero me superar a cada série, a cada competição.

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