ENTREVISTA

'O Cruzeiro é gigantesco e com certeza foi onde fui mais feliz', afirma Robinho

Após anunciar aposentadoria, ex-meia relembra fase vitoriosa no time celeste e projeta novo caminho no futebol como auxiliar técnico

Angel Drumond
angel.lima@hojeemdia.com.br
Publicado em 05/01/2026 às 07:00.
Robinho jogou no Cruzeiro de 2016 a 2020 (Vinnicius Silva/Cruzeiro)
Robinho jogou no Cruzeiro de 2016 a 2020 (Vinnicius Silva/Cruzeiro)

Robinho anunciou oficialmente a aposentadoria como jogador profissional e encerrou um ciclo marcado por longevidade, regularidade e conquistas no futebol brasileiro. Aos 36 anos, o ex-meia se despede dos gramados após mais de duas décadas dedicadas à carreira como atleta.

Com passagens por clubes tradicionais e participação direta em títulos nacionais e estaduais, Robinho construiu uma trajetória que inclui mais de 800 partidas oficiais, gols decisivos e presença constante em elencos competitivos. Ao longo do caminho, consolidou-se como um jogador identificado com diferentes torcidas.

No Cruzeiro, entre 2016 e 2020, viveu o período mais vitorioso da carreira. Foi peça importante nas conquistas das Copas do Brasil de 2017 e 2018, além de títulos mineiros e atuações marcantes em clássicos, período que o próprio jogador define como o auge físico e técnico.

Encerrada a carreira dentro de campo, Robinho inicia agora uma nova etapa no futebol. Integrante da comissão técnica do Náutico como auxiliar de Hélio dos Anjos, ele conversou com o Hoje em Dia sobre a trajetória como atleta, a passagem pelo Cruzeiro e as expectativas para o futuro em novas funções fora das quatro linhas.

Você encerrou recentemente mais um ciclo como jogador e já sinalizou o desejo de seguir no futebol como treinador. Como está esse início de trajetória fora das quatro linhas, onde você tem buscado aprendizado e quais são as suas pretensões nessa nova etapa?
Encerrei a carreira agora, faz pouco tempo. Ainda estou analisando as situações, porque é tudo muito novo para mim. Hoje, tenho trabalhado no Náutico como auxiliar do Hélio dos Anjos, o que, para mim, está sendo espetacular. São apenas alguns dias de trabalho, mas já deu para ver que é bem diferente de quando eu jogava.

Está sendo uma experiência espetacular, uma experiência única na minha vida. Ter essa oportunidade de trabalhar com um treinador tão vencedor e experiente como o Hélio, junto com o Guilherme, está sendo maravilhoso para mim. Estou buscando aprender o máximo possível, absorver todas as situações, tudo o que eles podem me orientar e me mostrar. Estou buscando aprender e realmente ser ensinado.

Olhando para trás, com uma carreira marcada por títulos estaduais, nacionais, acessos e passagens por clubes importantes, você sente que conquistou tudo o que imaginava no futebol? Quais momentos considera determinantes na sua história como atleta?
Olhando para trás na minha carreira, sou muito grato a Deus pelas oportunidades que Ele me deu. Vemos muitos jogadores que atuam em grandes clubes, têm carreiras importantes, mas conquistam poucos títulos. Graças a Deus, tive a chance de jogar em grandes equipes, conquistar títulos, alcançar acessos e conquistar o respeito do torcedor. Por isso, sou muito grato.

Fico muito feliz com tudo o que conquistei. Graças a Deus, o futebol me entregou tudo aquilo que eu desejava. Não me arrependo de nada e não imaginava que poderia ter sido diferente. Tudo aconteceu da forma como Deus me concedeu essas oportunidades. Foi algo espetacular, maravilhoso.

Os momentos mais marcantes da minha carreira, sem dúvida, foram o meu primeiro jogo como profissional e o meu primeiro título. Os títulos são muito importantes, e acredito que todos os momentos são marcantes e determinantes.

No entanto, considero que um ponto muito significativo da minha carreira foi o período que passei no Palmeiras. A minha chegada ao clube, o desempenho que consegui ter e os gols que marquei foram determinantes para que minha carreira ganhasse maior projeção no cenário nacional.

Entrando especificamente no Cruzeiro, você viveu um período extremamente vitorioso no clube, com duas Copas do Brasil, títulos mineiros, protagonismo em clássicos e gols contra o Atlético. Que peso essa fase tem na sua trajetória profissional?
Sobre o Cruzeiro, com certeza foi o meu melhor momento como atleta profissional. No clube, vivi o meu auge físico e técnico. Sem dúvida nenhuma, foi a melhor fase da minha carreira. Conquistei muitos títulos, fiz gols contra o Atlético, inclusive em clássicos, o que também é muito importante na trajetória de um atleta. Vencer clássicos, conquistar títulos e marcar gols, especialmente na minha função, faz diferença.

Em termos de gols e assistências, graças a Deus, sempre consegui construir minha carreira dessa maneira. O Cruzeiro foi um momento espetacular para mim. Sem dúvida nenhuma, foi a minha melhor fase como atleta profissional. Sou muito grato ao Cruzeiro e ao torcedor cruzeirense. Tenho um respeito muito grande pelo clube e torço para que volte a conquistar títulos, porque é uma instituição gigantesca e, com certeza, foi onde fui mais feliz e permaneci por mais tempo.

Depois de falar dessas conquistas, é inevitável lembrar de 2019, um ano que começou com promessas altas e terminou de forma traumática, com o rebaixamento. Na sua avaliação, o que fez aquela temporada sair completamente do controle?
Foi um ano difícil, um ano que começou de forma muito promissora. Tivemos a segunda melhor campanha da Libertadores na fase de grupos, conquistamos o Campeonato Mineiro de forma invicta e, a partir da metade do ano, as coisas saíram do controle. Acredito que ninguém consiga explicar exatamente o que aconteceu.

Muito se discutiu à época sobre problemas de gestão, gastos elevados, atrasos salariais e constantes trocas de treinador. Esses fatores foram determinantes para que um elenco com tantos nomes experientes não conseguisse responder em campo?
Diversos fatores contribuíram para isso, como salários atrasados, sucessivas trocas de treinadores e uma diretoria que talvez não tenha conseguido se organizar para caminhar junto com o elenco. Foi um período complicado, e não consigo determinar com precisão as causas do que ocorreu.

O que se sabe é que o final da temporada foi trágico, tanto para os atletas quanto para o torcedor. É evidente que a responsabilidade recai sempre sobre os jogadores. Todos que faziam parte daquele elenco tinham sua parcela de responsabilidade. Nenhum é mais responsável do que o outro; a responsabilidade foi compartilhada de forma igual. Ainda assim, é difícil chegar a uma explicação clara para que essa situação tenha se transformado nessa tragédia.

Hoje, o Cruzeiro vive uma realidade diferente, estruturado como SAF. Como você avalia essa nova fase do clube?
Fico feliz que o Cruzeiro hoje viva uma outra fase, um outro momento. O Pedrinho é um torcedor apaixonado, todo mundo sabe disso. A SAF veio para ajudar os clubes, mesmo fazendo algo com o qual eu não concordo muito. Tirar praticamente 90% de uma dívida eu acho um absurdo. Só no futebol a gente consegue ver esse tipo de coisa acontecer.

Você abre um CNPJ novo, começa a contratar muita gente e deixa os antigos de lado, como se nada tivesse acontecido na gestão do futebol. Mas fico feliz pelo Cruzeiro. O Cruzeiro é um time grande, a torcida merece ter um time à altura do que o clube representa e do que o torcedor quer. O Pedrinho é um cara diferenciado nesse sentido e tenho certeza de que o Cruzeiro ainda vai alcançar voos mais altos sob o comando dele.

A última temporada mostrou um time mais competitivo e organizado. Qual é a sua expectativa para o Cruzeiro na próxima temporada e até onde você acredita que a equipe pode chegar no cenário nacional?
O Cruzeiro fez uma temporada muito boa em 2025. Acredito que em 2026 possa vir ainda mais forte, agora também com um grande treinador. Acho que essa campanha do Cruzeiro em 2025 tem muito a ver com o trabalho do Jardim. Ele é um grande treinador, diferenciadíssimo.

Ainda assim, o Cruzeiro conseguiu repor muito bem, trazendo o Tite, cujo nível e qualidade todos conhecem. Acredito, portanto, que o Cruzeiro venha forte. Deve fazer contratações pontuais, porque já é um bom time, mas todo bom time precisa se reforçar.

Vemos hoje Flamengo e Palmeiras um passo à frente do Cruzeiro devido às contratações que fizeram, mas acredito que o Cruzeiro também fará alguns reforços e brigará no cenário nacional por títulos. Vejo a equipe entrando muito forte na Libertadores e, no cenário nacional, não tenho dúvida de que brigará por todos os títulos.

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