Transporte

Primeiro novo trem do metrô de BH deve começar a operar em abril

Previsão é do diretor-geral do meio de transporte da Grande BH

Leandro Alves*
@leandroalves04
Publicado em 23/02/2026 às 07:00.Atualizado em 23/02/2026 às 17:53.
Diretor-geral do meio de transporte da Grande BH, Júlio Freitas (Metrô BH/Divulgação)
Diretor-geral do meio de transporte da Grande BH, Júlio Freitas (Metrô BH/Divulgação)

Em testes para checagem de itens de segurança, comunicação entre vagões e simulações de emergência, o primeiro dos 24 novos trens do metrô de Belo Horizonte deve começar a receber passageiros em abril. A previsão foi dada pelo diretor-geral do meio de transporte da Grande BH, Júlio Freitas. 

Formado em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Freitas voltou à capital mineira em outubro do ano passado, quando deixou a direção de operações do metrô da Bahia. Em entrevista ao Hoje em Dia, ele fala sobre a possibilidade de antecipar a entrega da nova frota, dos impactos da recém-inaugurada estação Novo Eldorado, melhorias implantadas, importância do transporte sobre trilhos e o futuro do modal em BH. Confira:

Com a inauguração da estação Novo Eldorado, qual o impacto da expansão do transporte na dinâmica do deslocamento da região?
Tem dois impactos importantes. O primeiro é o simbólico. Depois de tanto tempo, nós temos uma expansão do metrô aqui em BH, algo aguardado há muito tempo. Era uma promessa que não era cumprida. E aí, a nossa operação conseguiu implementar antecipadamente esse marco, que era previsto para março. Para a população, é uma esperança de que o processo vai continuar avançando. São três minutos a mais de viagem, uma estação a mais e em uma região importante do Água Branca, que possui em torno de 110, 120 mil moradores. Então, a gente vê que o Brasil está em um processo de crescimento dos trilhos muito significativo, até pela imobilização das capitais. Nós vemos claramente que Belo Horizonte é uma das piores capitais do Brasil no quesito mobilidade urbana. São vias muito estreitas, uma cidade muito confinada. E a única solução é o transporte sobre trilhos.

Já existe uma estimativa do impacto da nova estação no trânsito?
É bem relativo, porque ainda não é uma expansão significativa. Mas a gente lembra que o metrô, há algum tempo atrás, chegava a transportar 200 mil passageiros por dia. Com a expansão que está sendo feita, ele vai ter a capacidade de retomar isso. Então, quando se fala em aumento de passageiros no metrô, você pensa que menos pessoas usarão o carro e os coletivos rodarão menos. E não é que eles vão deixar de usar o coletivo, às vezes os passageiros terão de pegar os ônibus no bairro em que moram para chegar à estação, se deslocando de forma mais eficiente no metrô. Porém, a integração entre ônibus e metrô, em Belo Horizonte, ainda não foi 100% resolvida. À medida que o metrô for expandindo, principalmente com a linha 2, acho que isso vai ficar muito evidente. Mais pessoas vão deixar de usar os carros e vão migrar para o metrô e para os coletivos, porque a integração fica mais eficiente. 

Além da Novo Eldorado, também existe o projeto das estações Parque São João e Beatriz. Quando elas devem sair do papel?
Esse é um item que está além do nosso contrato, mas a gente está dando todo o apoio. Nós sabemos que os recursos para essa obra foram carimbados e estão no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Além disso, existe o interesse do governo do Estado, o nosso interesse e o da Prefeitura de Contagem. Então, nós montamos um grupo de trabalho, que está subsidiando dados técnicos e operacionais para análise de viabilidade da obra e da implantação. Realmente, para nós, é um interesse muito grande, porque atinge uma área de Contagem muito significativa. Além disso, ela tem uma conexão muito boa e começa a afetar até outras cidades, como Betim, que tem trânsito naquele corredor. Então nós temos a esperança de que até o final do ano haja uma definição sobre esse investimento. A gente entende, com bastante otimismo, que isso é viável sim. Construímos um plano para que o projeto comece a ser implantado a partir de 2027.

Na Linha 2, a entrega das estações Nova Suíça e Amazonas está mantida para o segundo semestre deste ano?
A data que a gente está trabalhando é julho, no início do segundo semestre. Estamos com alguns desafios de obra, porque choveu muito em Belo Horizonte e, obviamente, isso dá algum tipo de impacto. Mas continuamos com o cronograma, estamos acelerando todos os trabalhos. Teremos boas informações para dar ao longo do ano e, até 2028, com certeza a linha completa vai estar funcionando, já com 24 novos trens. O primeiro já chegou e foi um evento bastante simbólico. Nossa frota é antiga, e a gente conseguiu, com muita maestria, colocar em operação com poucas falhas em relação ao que era esperado.

Já tem uma data para o início de operação do primeiro novo trem?
Tenho uma expectativa dele começar a rodar em abril. Esse é o primeiro, então você tem que rodar uma série de testes para saber se está verificado. Uma boa notícia é que ele atravessou da São Gabriel até Novo Eldorado, rodando pelos próprios meios, até o dia da inauguração. Então, já mostra que ele está muito bem adaptado. Só que a gente, por questão de segurança e até para certificação do sistema, tem que rodar uma série de testes. Ele deve começar a operar em abril. Nos próximos 40 dias chegarão mais 2 trens. A previsão é de receber 10 trens durante esse ano.

Quando o passageiro entrar nestes novos vagões, o que ele vai perceber de diferente?
Tudo. Silêncio, ar-condicionado, o transporte é mais leve, com mais espaço e mais conforto dentro dos trens. É outro mundo. É como você sair de um carro antigo e entrar num carro novo.

Os novos vagões contam com um sistema de contagem de passageiros. Isso vai mudar o controle de superlotação durante o horário de pico?
O controle hoje já existe, porque a gente também implantou esse contador de passageiros nos trens atuais. Essa é uma forma de monitoramento do fluxo dos passageiros. Agora, é bom que as pessoas entendam que é no pico, e a gente vê isso em todos os transportes. No carro, as vias ficam totalmente congestionadas no horário que todo mundo sai. Nos ônibus, a mesma coisa. E no trem também é similar. O veículo tem capacidade para 1.200 pessoas e, muitas vezes, as pessoas não querem esperar um outro trem, o que só faz os vagões ficarem mais cheios. Hoje, os veículos estão longe de estarem lotados. O horário de pico fica realmente com mais pessoas, mas isso é natural no dia a dia do transporte, seja no Japão, em São Paulo, em todos os lugares. O sistema vai estar dimensionado a dar um nível de conforto que é padronizado no Brasil, atendendo a demanda até com folga.

Falando sobre problemas operacionais, recentemente ocorreram algumas paralisações no funcionamento das estações, gerando muitas críticas por parte dos usuários do metrô. Como o senhor responde à essas críticas?
Nós temos dois tipos de paralisação: as falhas operacionais e as paralisações programadas em função da revitalização. As falhas operacionais ocorrem eventualmente, e nós temos grupos para a análise das falhas, para evitar que aconteçam. Elas caíram significativamente dos últimos anos até agora. Apesar do ativo ainda não estar 100% renovado, a gente tem falhas a nível de sistemas que operam com equipamentos novos. Obviamente, a gente atua para restabelecer o mais rápido possível, porque é um transtorno para o usuário. Já na questão das paralisações, em função da revitalização, é uma necessidade. As pessoas têm que entender que é um transtorno provisório, que vai ter um ganho duradouro. São momentos realmente chatos, mas a gente faz a divulgação com antecedência. Para essas paralisações que fizemos recentemente nos fins de semana, nós conversamos com os empresários de ônibus, com as empresas de ônibus, com a Semob e com a Seinfra, para poder dar um atendimento compensatório aos usuários. 

Já tem uma data para essas paralisações programadas acabarem?
Sim, quando a gente terminar o processo de revitalização da Linha 1 e a implantação do novo sistema de sinalização. Aí, sim, essas paralisações vão cessar. Provavelmente em meados do ano que vem.

Mas existe uma previsão para qual mês?
No primeiro semestre do ano que vem, provavelmente.

Qual a visão do senhor para o metrô de Belo Horizonte nos próximos 10 anos?
A mesma que temos visto nas outras capitais. Uma vez investindo em trilhos, o retorno para a população é muito grande. Eu vejo um crescimento e a gente já vê isso pelo nível de projetos que têm aparecido. Tem estudos que colocam uma série de expansões aqui para a rede de Belo Horizonte e região metropolitana, como a linha 3 - que liga a Pampulha até a Afonso Pena. Tem várias outras linhas sendo pensadas, assim como outros modais também de VLT, até de BRT para a região metropolitana. Eu vejo um novo ciclo de investimento em transporte em BH que não se via há muito tempo. Acho que é uma esperança de dias melhores na mobilidade aqui da região metropolitana, com esses investimentos acontecendo e essa melhoria operacional.

Leia também:

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por