‘Vou celebrar no palco, não teria outra forma’, afirma Bauxita sobre os 40 anos de carreira
Cantor mineiro revisita trajetória na música, destaca influências e prepara agenda especial em abril, mês em que também celebra 57 anos de vida

Aos 40 anos de carreira em abril e se preparando para celebrar 57 de vida no fim do mês, Bauxita revisita uma trajetória marcada pela música independente, pela força interpretativa e por uma presença constante nos palcos. Reconhecido pela voz marcante, presença de palco intensa e versatilidade artística, o cantor construiu seu nome atuando em bandas de relevância nacional, carreira solo e projetos autorais, além de participações na mídia televisiva e radiofônica. Entre os dois marcos, reúne uma série de shows comemorativos em Belo Horizonte ao longo de abril.
Com ampla trajetória na música independente, Bauxita desenvolveu a carreira passando por diferentes formações e estilos. Entre os principais trabalhos, integrou o Sagrado Coração da Terra, de Marcos Viana, participando do CD “Grande Espírito”. Também foi integrante da banda Jam Pow, que gravou dois CDs — o primeiro (1999), produzido por Haroldo Ferretti e Henrique Portugal (Skank), e o segundo (2002), com produção da própria banda e participação de John, guitarrista do Pato Fu. Em 2003, retomou a carreira solo, preparando e lançando trabalho autoral em 2004.
Como vocalista da banda Código B, ganhou destaque no cenário pop rock nacional, com apresentação no festival Pop Rock Brasil para um público aproximado de 50 mil pessoas, tendo músicas em evidência em diversos meios de comunicação.
Seu trabalho transita entre estilos como rock, pop rock, alternativo, grunge e gospel urbano, consolidando uma carreira marcada por grandes palcos, parcerias com produtores renomados e forte conexão com o público.
Neste mês de celebração, o cantor cumpre a seguinte agenda de shows: 17/4 – Mei du Mato; 18/4 – XBK; 23/4 – Why American Pub; 25/4 – Rotta 677; e 29/4 – Major Lock, data da celebração dos 40 anos de carreira e também do aniversário de 57 anos de vida. Em meio à programação especial, Bauxita conversou com o HOJE EM DIA.
Sua carreira começou muito influenciada pelo seu pai e por referências do rock e da música internacional. Como essas influências moldaram o artista que o público conhece hoje?
Minha carreira musical começou ali com meu pai. As viagens que a gente fazia… meu pai era muito musical, já vinha com aquela força que ele tinha para cantar. Aliás, essa é a máxima que eu aprendi com ele: a força para cantar. Eu nunca fui um cantor de cantar manso. Então, isso moldou a minha carreira. Eu nunca gostei de artistas e cantores que tinham voz pequena. Sempre fui um cara que trabalhou para isso, desde cantar heavy metal até cantar ópera. E, assim, o rock internacional, o heavy metal, foi a primeira influência que eu tive — além, claro, do meu pai. Depois veio o heavy metal com Bruce Dickinson, Rob Halford. Aí depois veio o Deep Purple, com Ian Gillan, David Coverdale, os internacionais. Eu nunca fui muito ligado, no início da minha carreira, aos cantores nacionais. Eu era muito ligado a essas referências e, obviamente, às do meu pai. Porque ele ouvia Lupicínio Rodrigues, Agnaldo Rayol, Agnaldo Timóteo, Ângela Maria — cantores que tinham uma voz potente. E essa é a influência que vem do meu pai e vai para o heavy metal.
São 40 anos de estrada em abril. Olhando para trás, quais momentos você considera decisivos para construir essa trajetória na música mineira?
Nesses 40 anos de estrada, que se completam agora em abril, quando eu olho para trás, vejo essas influências e esses momentos decisivos. Eu nunca fui um compositor; sempre fui um intérprete. Só depois comecei a me atrever a escrever algumas letras, algumas coisas nesse sentido, mas a minha essência sempre foi interpretar. E acho que momentos decisivos para a minha trajetória na música mineira foram estar sempre ao lado de grandes músicos — eu valorizo muito isso —, grandes artistas, compositores e instrumentistas. Eu sempre estive acompanhado de grandes músicos. Nunca tive alguém que eu dissesse: “poxa, esse aqui é meia-boca”. Então, eu acho que essa é uma das coisas que me fizeram ser o que eu sou hoje, até na minha formação mesmo. E conhecer grandes artistas, trabalhar com grandes músicos, estar envolvido com nomes importantes, inclusive internacionais, principalmente no blues — como Albert Collins, B.B. King e outros artistas —, além de assistir a vários shows de lendas do rock e do blues, também me ajudou muito.
Nos últimos anos, você tem se reconectado fortemente com suas raízes mineiras, incluindo trabalhos inspirados no Clube da Esquina. O que essa fase representa na sua história artística?
Essa questão do Clube da Esquina: eu fui convidado pelo produtor e baixista Barral para gravar um CD com canções do Clube da Esquina, porque, na época, o movimento estava completando 40 anos. O trabalho, inclusive, foi intitulado “Clube aos 40”. Olha que coincidência: eu também estou completando 40 anos de estrada, e naquela época gravei um CD celebrando os 40 anos do Clube da Esquina. Foi um desafio para mim. Como eu disse antes, sou um cantor de voz forte, e as músicas do Clube da Esquina, apesar de muito ricas, em muitos casos são mais suaves, mais tranquilas. Então, tive uma dificuldade maior nesse sentido. Mas, ao mesmo tempo, passei a enxergar ainda mais a riqueza da música mineira, principalmente a do Clube da Esquina, com nomes como Lô Borges, Milton Nascimento, Beto Guedes, Tadeu Franco, Celso Adolfo, Túlio Mourão e Paulinho Pedra Azul, entre outros grandes artistas, todos com uma riqueza imensa. Hoje, posso dizer que tenho um carinho muito grande por esse trabalho. É um dos que eu mais gosto. Volta e meia estou ouvindo, cantando; minha filha também canta algumas canções desse CD. Então, foi um privilégio ter podido fazer esse trabalho. Sou grato ao Barral pela insistência, porque houve uma resistência inicial da minha parte, mas, no fim, foi uma experiência muito gratificante e enriquecedora.
Você vai celebrar essa marca dividindo o palco com vários artistas mineiros. Que importância têm essas amizades e parcerias ao longo da sua carreira?
Eu vou celebrar meus 40 anos de estrada no palco — não teria outra forma de celebrar. E, graças a Deus, eu construí amizades, influenciei e também fui influenciado, o que é muito importante frisar. E isso não sou eu que digo, são os próprios amigos. Essas parcerias que fiz ao longo desses 40 anos mostram isso. Um exemplo é Samuel Rosa, que foi meu guitarrista por muitos anos, antes mesmo do Skank. Tem também o Rogério, que veio de Alfenas junto com Wilson Sideral para ver um show meu, e dali nasceu uma amizade. Eu praticamente participei da gravação do primeiro disco do Jota Quest em estúdio, fiz os backing vocals para esse trabalho, foi uma oportunidade muito especial. Eu e o Play, que somos parceiros desde o início das nossas carreiras, temos uma ligação muito forte. Ele, inclusive, faz backing vocal para o Jota Quest. Além deles, posso citar nomes como Guilherme Bizotto, vocalista da banda Kamikaze, que me influenciou muito e é, para mim, uma das referências como cantor de rock no país, entre vários outros. E tem também momentos marcantes, como quando vi um show do 14 Bis, antes mesmo de pensar em ser cantor, em Marataízes, no Espírito Santo. Aquilo mexeu muito comigo. Eu pensei: “eu tenho que ser artista, eu tenho que ser cantor”. Ver o Cláudio Venturini no palco, com toda aquela energia, foi algo que realmente me impactou.
Torcedor declarado do Cruzeiro, qual é a sua expectativa para o clube nesta temporada e como essa paixão influencia sua vida e até sua música?
O Cruzeiro é uma das minhas paixões. Aprendi isso também com o meu pai. O primeiro jogo a que fui do Cruzeiro, no Mineirão, foi aquele 5 a 4 emblemático contra o Sport Club Internacional. Ali eu me apaixonei. Ao longo dos anos, vi o Cruzeiro ser campeão de tudo. Sofri muito em várias épocas, como na derrota na Copa Libertadores da América para o Estudiantes de La Plata, e também com a queda para a Série B. Mas também vivi grandes vitórias, como o bicampeonato brasileiro, os títulos da Libertadores e as conquistas da Copa do Brasil — o clube que mais venceu, com seis títulos. Então, isso me influenciou muito, essa coisa do “sangue azul”. E, na música, eu tive o privilégio de gravar alguns hinos do Cruzeiro, de participar de eventos, tocar em festas e em celebrações de vitórias do clube. Isso é algo muito especial para mim.
Você é casado com a Joyce e pai de duas filhas. Como a família participa da sua trajetória e qual o papel dela nesse momento especial de comemoração?
A minha família é maravilhosa. Tenho a Malu, minha filha mais velha, do meu primeiro casamento, que está com 16 anos. Hoje sou casado com a Joyce, uma mulher que edifica a minha casa, me apoia, me auxilia e me corrige. Sou um homem privilegiado por tê-la ao meu lado. Com ela, tive a Lia, que também é fantástica, uma criança com quem aprendo muito. Sou um cara privilegiado por estar rodeado por três mulheres maravilhosas. A Joyce é indescritível, a Malu é um pilar na minha vida e a Lia também. Sou muito feliz por ter essas três mulheres na minha vida. Agradeço à Joyce, à Malu e à Lia. Elas me incentivam, estão sempre ao meu lado, me ajudam e, de vez em quando, puxam a minha orelha — até a Lia. Aprendo muito com a Joyce, com a Malu e com a Lia. Celebrar isso com elas é um privilégio.
Você costuma dizer que sua vida mudou ao encontrar Jesus. Como a fé impacta sua música hoje e quais são seus planos para o futuro, tanto na carreira quanto na vida pessoal?
A maior coisa que eu tenho na vida, antes até da minha família, é Cristo. Cristo é tudo. Quando eu conheci Jesus Cristo, a minha vida mudou, se transformou. Eu saí de uma vida de pecado para viver a graça e a misericórdia d’Ele. Cristo é maravilhoso. E eu digo que não sou um cantor cristão, sou um cristão que canta, porque isso está acima de tudo. Tudo na minha vida é baseado na Palavra, em Jesus. Jesus não é uma religião, é uma pessoa. Jesus é Deus para mim, eu creio assim. Esse mesmo Cristo influencia tudo na minha vida, do meu acordar ao meu deitar. Ele é a esperança da glória. Isso influencia totalmente a minha vida, em tudo: na família, no modo de ser como profissional, como pai, como marido, como filho. Cristo é o meu norte. Eu olho para Ele. Se eu tirar os olhos de Cristo, eu me perco. E digo o seguinte: tudo de bom que você vê em mim hoje é Cristo em mim, e tudo de ruim sou eu mesmo. Ele é o meu norte, é tudo para mim. Eu ensino às minhas filhas que elas precisam amar a Cristo primeiro e depois amar o pai. Na relação com a minha esposa é da mesma forma: nós amamos Cristo primeiro e depois nos amamos. É assim que vivemos. Quanto à minha carreira e à minha vida, eu faço tudo com base em Cristo. Ele é a base de tudo, é quem me norteia. Então, todas as minhas decisões passam por Ele, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Hoje, não dou um passo sem consultar a Palavra. Eu creio assim: a Bíblia é a Palavra de Deus. Então, eu a consulto, e o Espírito Santo, que habita em mim, revela o que está oculto, não só na letra, mas além dela.
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