Atlético supera a catimba argentina e goleia por 5 a 2

Wallace Graciano - Hoje em Dia
Publicado em 04/04/2013 às 00:12.Atualizado em 21/11/2021 às 02:31.

O Atlético provou nesta quarta-feira (3) que está sobrando na bola. Apesar de enfrentar um Arsenal, da Argentina, que preferia intimidar à jogar futebol, o clube alvinegro soube manter a tranquilidade e repetiu o placar de Sarandí no Independência, ao vencer o tenso duelo por 5 a 2. Ronaldinho mais uma vez foi o nome do jogo, ao fazer um gol de pênalti e outro de placa. Tardelli, Luan e Alecsandro fizeram os demais tentos do Galo nesta noite.

Com a vitória, o Atlético chegou aos 15 pontos em seu grupo na Libertadores. Além de garantir a ponta em sua chave, o clube mineiro praticamente garantiu a liderança geral do torneio continental. Somente o Velez Sarsfield pode ultrapassá-lo, mas, para isso, terá de reverter a diferença de gols e ainda torcer por um revés alvinegro diante do São Paulo, no dia 17, uma quarta-feira.

A nota lamentável ficou por conta dos jogadores do time argentino, que perderam a cabeça e atacaram os militares ao final da partida e quebraram o vestiário destinado aos clubes visitantes no Gigante do Horto.

Gols e intimidações

Parece que é regra. Basta ter um duelo entre brasileiros e argentinos para a técnica ser deixada de lado. A tensão toma conta da partida, que se transforma em um verdadeiro combate, na qual cada lance é disputado com vigor e a catimba é mais um dos ingredientes. E o duelo desta quarta-feira mostrou bem isso.

Mesmo sem Bernard, o Galo era visivelmente superior tecnicamente ao time de Sarandi.  Logo em seus primeiros toques na bola, o time alvinegro conseguiu chegar com perigo ao gol defendido por Campestrini. O Arsenal mostrava a velha característica dos argentinos, que “matam” as jogadas na intermediária e saem rapidamente em contra-ofensiva. Assim, o time portenho quase abriu o placar aos cinco minutos, quando Carbonero acertou a trave após chute cruzado na entrada da área alvinegra.

O lance não abalou o time alvinegro. Por sinal, essa é uma de suas grandes virtudes. Quando pressionado ou atacado, a equipe comandada por Cuca sabe colocar a bola no chão e amenizar o ímpeto rival. E dessa forma foi mortal. Aos 10 minutos, a bola foi lançada pelo meio, Jô escorou e achou Tardelli livre, que avançou rumo ao gol adversário sem objeção. Foi preciso somente o goleiro sair da meta para ele cutucar para a rede e sair para o abraço. 1 a 0.

Aos 14, a bola foi lançada rumo ao atacante Jô. Com inteligência, ele desviou para Luan, que avançava rumo à meta quando foi derrubado dentro da área e o juiz apontou a marca do cal. Pênalti contestado pelos argentinos, que pediam a marcação na meia-lua. Ronaldinho, que não tinha nada a ver com isso, cobrou como pede o figurino: goleiro para um lado, bola para o outro e festa nas arquibancadas. 2 a 0.

Com o passar do tempo, o Atlético administrou o placar, se arriscando menos. Isso permitiu que o time argentino tivesse um pouco mais de presença ofensiva. E quando teve a oportunidade, não desperdiçou. Aos 39, a bola foi alçada na área. Diego Braghieri subiu mais que a zaga e cabeceou para baixo, enganando Victor, que viu a pelota passar entre suas pernas. 2 a 1.

A partida era combativa, mas ficava restrita a isso. Ficava, até que aos 45 minutos, a velha catimba argentina entrou em cena. Ortiz fez falta em Leandro Donizete e, não contente, voltou para lhe dar um “cocão”. Confusão generalizada. Foi preciso os seguranças intervirem para que a situação não passasse do “empurra-empurra” para as agressões físicas. Triste fim de uma primeira etapa de bom futebol.

Catimba argentina no final da primeira etapa (Foto: Carlos Roberto)

Catimba argentina no final da primeira etapa (Foto: Carlos Roberto)

Futebol sobrepõe à catimba

Na volta dos vestiários, pairava o clima de tensão no Independência. Os seguranças estavam à postos quando os jogadores caminhavam rumo ao gramado e ficou o medo de agressões entre as partes. Felizmente só ficou na ameaça. O relógio nem bem tinha dado sua primeira volta e o Galo fez questão de mostrar que queria apenas jogar bola. Jô recebeu pela esquerda e cruzou a bola para a área, encontrando Luan, sozinho, que marcou seu primeiro gol com a camisa alvinegra. Festa nas arquibancadas. 3 a 1.

O tento precoce deu tranquilidade ao Atlético, que passou a trocar passes, envolvendo o adversário, que ainda demonstrava ânimos exaltados, principalmente por utilizar uma “forcinha” a mais a cada dividida. Porém, aos 13 minutos, eles apenas tiveram que aplaudir, quando uma bola despretensiosa caiu nos pés de Ronaldinho, na entrada da área. Quando todos esperavam um cruzamento, o craque cutucou a gorduchinha com sua classe peculiar. A pelota morreu caprichosamente no ângulo defendido por Campestrini. Golaço do camisa 10, que fez o Independência explodir em gritos guturais. 4 a 1.

O Galo não precisava de mais nada e colocou o Arsenal na roda, dando à sua torcida o prazer de gritar “olé” em meio a um jogo cheio de tensão. O time argentino até que fez o seu "de honra", aos 39 minutos, quando Benedetto acertou o ângulo de Victor, após chute de rara felicidade, do meio da rua. Nada que diminuísse a festa da torcida atleticana, que, no apagar das luzes, viu Alecsandro deixar seu adversário na saudade e chutar forte para o fundo da rede, repetindo o placar do jogo em Sarandi. 5 a 2.

Se um pai atleticano quer fazer com que seu filho torça para seu time, o momento é propício. O Galo dá um espetáculo a cada partida no Independência.

FICHA TÉCNICA

ATLÉTICO 5 X 2 ARSENAL

ATLÉTICO: Victor; Marcos Rocha, Réver, Leonardo Silva e Richarlyson; Pierre, Leandro Donizete, Diego Tardelli (Araújo), Ronaldinho Gaúcho e Luan (Rosinei); Jô (Alecsandro). Técnico: Cuca
ARSENAL:Cristian Campestrini; Hugo Nervo, Lisandro López, Diego Braghieri e Damián Pérez; Carlos Carbonero, Jorge Ortiz, Ivan Marcone e Nicolás Aguirre (Torres); Martín Rolle (Benedetto) e Júlio Forch. Técnico: Gustavo Alfaro
 
Gols: Tardelli (aos 10'), Ronaldinho (pênalti) (aos 14') e Braghieri (aos 39' do 1º tempo); Luan (ao 1º'), Ronaldinho (aos 13'), Benedetto (aos 39') e Alecsandro (aos 48' do 2º tempo)
 
Motivo: Jogo válido pela 5ª rodada do Grupo 3 da Copa Libertadores
Data: 3 de abril de 2013
Estádio: Independência
Cidade: Belo Horizonte
Árbitro: Enrique Cáceres (PAR)
Asuxiliares: Dário Gaona (PAR) e Hugo Martinez (PAR)
Cartões amarelos: Leonardo Silva, Pierre, Luan, Marcos Rocha (Atlético); Aguirre, Ortiz (Arsenal)
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