“Cheguei à Seleção Graças ao Atlético”

Felipe Torres - Hoje em Dia
Publicado em 19/05/2014 às 08:45.Atualizado em 18/11/2021 às 02:38.
 (Luiz Costa)
(Luiz Costa)

A seriedade e a tranquilidade de Victor chegam a espantar. A fala do jogador é tão mansa que, às vezes, nem parece que ele está a menos de um mês de entrar em campo no Itaquerão, em São Paulo. Em 12 de junho, a bola rola na abertura da aguardada Copa do Mundo, quando Brasil e Croácia se enfrentam, pelo Grupo A.

Mas as aparências enganam. Após o treino da última sexta-feira, “São Victor” conversou com o Hoje em Dia e comentou como andam os preparativos para o Mundial. O ídolo do Atlético revelou que ainda se acostuma com a ideia de disputar um torneio tão importante dentro do próprio país. Isso significa que a ansiedade é grande.

Além disso, Victor demonstrou discernimento ao criticar a organização da Copa e falar da pressão que Neymar enfrentará na competição. “Ele é um cara de muita personalidade e vai lidar bem com os obstáculos. O Neymar não esconde da responsabilidade”, avisa.

Para completar, o atleticano ressalta que a união será o trunfo do grupo do técnico Luiz Felipe Scolari. “Essa história de ‘família Scolari realmente chama a atenção. Todos do elenco se mostram muito unidos”, diz.

Sendo assim, Victor espera por um final feliz em 13 de julho, com a conquista do sonhado hexa. “Temos tudo para realizar uma excelente Copa e trazer esse título”, conclui. Confira entrevista com o goleiro alvinegro.

Na semana passada, quando recebeu a notícia da convocação, você declarou que ainda estava “anestesiado” com a chance de ir à Copa. E agora, a ficha caiu?

Hoje, já estou mais acostumado com a ideia de tudo que está acontecendo. Até recebi minha programação de viagem da CBF. Aos pouquinhos, a gente vai assimilando isso tudo. Mas antes da Copa, tenho de focar nos jogos do Atlético, no Campeonato Brasileiro, para deixar o time na melhor colocação possível.

Cristiano Ronaldo, Messi e outros craques disputarão o Mundial. Tem um jogador em especial com quem você queira ficar frente a frente?

Não vejo nenhum especial que eu queira enfrentar. Vai depender muito de como as coisas acontecerem na Copa. Claro que temos jogadores de altíssimo nível na competição. Então, qualquer compromisso nosso será uma pedreira. Mas certamente teremos grandes atletas que vão vir aqui disputar o torneio.

A pressão sobre a Seleção será muito grande, principalmente em relação ao Neymar. Como acha que o ídolo canarinho vai se comportar?

O Neymar, apesar da pouca idade, é um cara muito maduro. Ele está preparado para suportar toda essa dificuldade, pressão. O Neymar sabe da importância dele, sabe o que ele representa para o Brasil. E isso não joga contra ele, pelo contrário, ele chama a responsabilidade e sabe do seu potencial. De forma alguma o Neymar se esconde do jogo. Ele será fundamental pra gente e acredito que brilhará muito nessa Copa.

O Felipão sempre exalta a união da “Família Scolari”. Como é o ambiente lá dentro. A união existe mesmo?

Realmente é algo que chama a atenção. O ambiente dentro da Seleção é de amizade e respeito. Legal você ver nas refeições todos sentados na mesma mesa. Enquanto todos não terminam, ninguém se levanta. Fica sempre aquele bate-papo descontraído. Isso é muito positivo. Essa troca de experiências, de descontração, age até mesmo como uma forma de segurar um pouco a pressão.

Felipão o chamou como terceiro goleiro. Acredita que, no decorrer dos treinamentos pré-Copa, você pode brigar pela titularidade com o Julio César e o Jefferson?

Tenho que trabalhar e me dedicar. Estou muito motivado, o que é natural. Quero fazer meu melhor nos treinos, estar à disposição. A oportunidade aparece quando menos esperamos. É melhor estar preparado quando ela surgir, mas acima de tudo fazer o máximo para ajudar os companheiros.

O Bernard também estará no grupo do Felipão. Como será o reencontro com ele?

Será legal reencontrá-lo, uma excelente pessoa, jogador muito querido. Todo mundo gosta do Bernard. Será legal reviver a conquista daquela Copa Libertadores, não só com o Bernard e o Jô, mas com todos na Seleção.

Você esteve na Copa das Confederações de 2010. Acha que o Brasil realizará uma Copa melhor do que a última?

Tenho certeza de que o Brasil fará uma ótima Copa do Mundo. A única ressalva que temos de fazer é quanto à nossa organização, que, como de costume, deixou tudo para última hora. Houve tempo mais que suficiente para essas obras de infraestrutura e de estádios se concretizarem. E ainda tem muita coisa para terminar. Creio que tudo estará em ordem no Mundial, mas poderíamos ter mais tranquilidade para não ficar nessa correria toda.

A Seleção poderá disputar as oitavas de final em Belo Horizonte. Será uma grande oportunidade de voltar para casa...

Verdade. Queria muito ver a Seleção jogar no Mineirão, diante do torcedor mineiro, em especial dos atleticanos. Seria bacana, mas acho que o mais importante é cumprir o objetivo no grupo.

Antes de você, somente outros dois goleiros do Atlético (Taffarel e Mazurkiewicz) tinham disputado uma Copa. Qual o papel do Galo nessa sua trajetória recente?

Se não fosse o Atlético me possibilitar vir para cá, disputar e ser campeão de uma Libertadores, não teria essa nova oportunidade na Seleção. Estou muito feliz pelo apoio e confiança da diretoria. Sempre serei extremamente grato por tudo o que tem acontecido no Galo e pelo que tenho vivido aqui.

Serão longos dias de concentração. Como lidar com isso?

Vou passar um período longo fora de casa, mas de forma nenhuma vou lamentar. É a realização de um grande sonho, e quero viver intensamente esse momento. Cada um tem uma forma de passar o tempo, uns jogam videogame, outros gostam de ler, ver televisão. O importante é fazer passar o tempo, pois é difícil ficar no hotel. A gente até brinca que, se concentração ganhasse jogo, time da cadeia seria campeão

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