Esquecido em 2010, Victor aproveita grande fase e carimba a vaga com Felipão

Felipe Torres - Hoje em Dia
Publicado em 19/05/2014 às 08:37.Atualizado em 18/11/2021 às 02:38.
 (Carlos Roberto)
(Carlos Roberto)

Para alguns jogadores, um grande “trauma” na carreira torna-se sinônimo de abatimento e declínio. Outros encaram a decepção como um aprendizado e a transformam em motivação. Victor se enquadra na segunda opção. Em 11 de maio de 2010, ou seja, há quatro anos, o então goleiro do Grêmio não viu seu nome entre os 23 escolhidos pelo técnico Dunga para defender a Seleção na Copa da África do Sul.

O atleta mantinha boas expectativas de ser lembrado, pois havia participado, uma temporada antes, da conquista da Copa das Confederações. Mas Victor não se abateu. Pelo contrário, trabalhou ainda mais forte. “Futebol é assim, temos que viver provando. Foi um momento difícil, que serviu para crescer como pessoa e profissional. Talvez por não ter feito o suficiente até lá, talvez por filosofia do Dunga”, afirmou o goleiro, na semana passada.

Mas ninguém duvida que o mundo da bola dá mesmo voltas. Em 7 de maio de 2014, o agora ídolo do Atlético, aos 31 anos, recebeu a confirmação que tanto sonhava de Luiz Felipe Scolari. Ele disputará um Mundial no próprio país. “Feliz demais pela convocação, espero corresponder à oportunidade e trazer o hexa”, diz.

Recomeço

A trajetória de Victor rumo à Copa de 2014 começou quando o presidente do Galo, Alexandre Kalil, anunciou a sua chegada. “Torcida mais chata do Brasil, se o problema era goleiro, não é mais. Victor é do Galo!”, publicou o mandatário, via Twitter, em junho de 2012.

O Atlético desembolsou cerca de R$ 8 milhões aos gaúchos. Além disso, cedeu 50% dos direitos do zagueiro Werley. Nenhum atleticano nunca questionou o uso desse dinheiro, já que, em questão de tempo, Victor deixaria de ser um mero goleiro.

Ele viria a se transformar em “santo” com o lendário pé esquerdo da defesa do pênalti diante do Tijuana, aos 48 minutos do segundo tempo, em pleno Independência, nas quartas de final da Libertadores de 2013. Era o milagre exigido para a “canonização”.

Victor também pegou penalidades na semi e na decisão da Libertadores. O título eternizou a relação de amor com a Massa. “Aquela Libertadores teve sim um peso nesta minha convocação para o Mundial. Foram defesas em momentos decisivos, e veio a taça também. A vaga na Copa faz parte de uma extensão entre a Seleção e o que apresentamos no clube”, acredita.

Porém, toda a badalação em torno do ídolo não tira seu foco. Victor espera brilhar nestes cinco compromissos do Galo no Campeonato Brasileiro antes da apresentação à Seleção. “Vou continuar dando o meu melhor aqui, como sempre fiz”, sentencia.

Exemplo para o grupo alvinegro, goleiro tem papel de liderança

O camisa 1 do Galo não é respeitado pelos companheiros apenas dentro das quatro linhas. Fora delas, Victor se tornou uma das referências e líder do grupo alvinegro. Tanto que os próprios “concorrentes” de posição não medem esforços para enaltecê-lo.

A cena de seu reserva imediato, Giovanni, o carregando após a conquista da Libertadores do ano passado sintetiza bem a relação. “Aprendo muito com o Victor no trabalho e como pessoa, principalmente por causa do seu caráter. Ele é um grande goleiro e uma pessoa fantástica. Tenho que estar pronto para substituí-lo sempre à altura”, garante Giovanni.

Durante os treinamentos e jogos, Victor se mostra um dos mais ativos. O goleiro grita, orienta e corrige os atletas. A iniciativa até ajuda o técnico Levir Culpi no sistema defensivo. “O Victor tem características peculiares, é um profissional exemplar. Possui ótimas qualidades para jogar no gol e nos passa muita tranquilidade. Ainda existe a história dos milagres, que marca muito. Espero contar com ele depois do Mundial. Fará falta quando estiver na Seleção”, elogia Levir.

Na lendária campanha da Libertadores de 2013, o astro atleticano Ronaldinho Gaúcho também fez questão de ressaltar as qualidades de Victor. Numa oportunidade, R10 agradeceu publicamente o companheiro. “O Victor é um grande goleiro, fez defesas fantásticas, nos dá segurança, e merece nossos aplausos”, reconheceu.

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