
Enquanto o quarto árbitro norueguês Svein Oddvar Moen levantava a placa eletrônica com os números 9 e 21, em vermelho e verde, respectivamente, Jô batia o pé esquerdo à beira do gramado para checar a chuteira. Era a estreia do atacante na Copa do Mundo, no dia 17 de junho de 2014, substituindo Fred aos 22 minutos da etapa final no empate sem gols com o México, em Fortaleza.
Passado um ano desde o auge na carreira, o jogador tenta se reerguer após ter vivido um verdadeiro inferno astral no Atlético. Reserva de Lucas Pratto, ele está longe de uma nova convocação para a Seleção. Mas, superado o último caso de indisciplina no clube e encerrado o jejum de gols superior a 12 meses, o centroavante encontra-se em nova fase: mudou de religião, reaproximou-se da esposa e do filho e garante estar focado no trabalho.
Como você recebeu a convocação para a Copa?
Eu estava na Cidade do Galo e vi o anúncio do Felipão na televisão. Ver meu nome na lista foi uma alegria indescritível. Passou um filme na minha cabeça. Veio a felicidade e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de defender o Brasil em uma Copa disputada em casa. Agradeci a Deus e só pensava em ajudar o time.
Em um ano, você viveu um declínio considerável e agora tenta se reerguer. O que mudou?
Vida de jogador está sujeita a reviravoltas. E a minha foi muito grande. Da Copa para cá, teve o jejum de gols, mesmo que eu tenha feito poucos jogos, e a minha vida pessoal não andava como o planejado. Tive que repensar o meu jeito de viver. Passei a frequentar a igreja, e Deus me proporcionou um novo recomeço. Agora, estou mais estruturado, passei a jogar bem novamente, voltei a fazer gols e estou com outro astral.
Seus problemas pessoais estão sanados?
Meus pais sempre estiveram ao meu lado. A minha esposa também sempre me apoiou, mesmo nos erros. E hoje tenho o meu filho ao meu lado. Conviver com ele é ótimo, pois sei a importância que um pai tem na vida de uma criança. Tudo isso me ajudou a encontrar o caminho certo. Antes, a cabeça estava cheia, e meu trabalho era prejudicado. Mas mudei minha maneira de viver.
Você é um dos jogadores mais queridos no clube. A recíproca é verdadeira?
O carinho de todos foi um ponto-chave. Eu gosto muito do Atlético e de todos no clube. E sempre recebi todo apoio da torcida, a qual não tenho palavras para elogiar. Falavam que a maré ruim iria passar e era só focar no futebol. Se houvesse uma rejeição, eu não estaria mais no Galo, eu teria saído. O presidente segurou a barra e me deu uma nova chance. Sou eternamente grato a todos, do porteiro à faxineira, sempre fui muito bem tratado, pois sempre fui um cara alegre e simpático lá dentro.
Na Copa, você era reserva de Fred. Hoje, do Pratto. Isso te incomoda?
Quando um jogador assina contrato, não há cláusula garantindo a titularidade. O Pratto é um grande atacante e merece a titularidade, até pela fase que eu vivi. Quando cheguei, consegui espaço no time através do trabalho. Agora, é tentar recuperar minha oportunidade da mesma forma. A reserva não me incomoda, mas eu sigo lutando para ficar mais em campo.
O ex-presidente Alexandre Kalil revelou que esperava uma grande oferta da Europa por você, mas ela desapareceu depois da Copa. Você também achava que iria sair?
Naquela época, aumentou demais o interesse dos clubes em quem estava na Copa. E isso aconteceu comigo. Lógico que gerou uma expectativa de chegar uma proposta milionária da Europa. Mas o desastre dos 7 a 1 (para a Alemanha), além da derrota por 3 a 0 para a Holanda, da qual eu participei, prejudicou e frustrou tudo. Mas eu tenho contrato no Atlético até maio de 2018 e espero cumpri-lo com dignidade.