
Lenha na fogueira. Na noite desta sexta-feira (1º), o vice-presidente do Atlético, Daniel Nepomuceno, publicou em sua conta oficial no Facebook um desabafo em relação à interferência política dos senadores Zezé Perrella e Aécio Neves para que a CBF mantivesse a partida entre Cruzeiro e Grêmio no Mineirão.
No texto, o dirigente alvinegro comparou os incidentes do clássico disputado no Independência, no último dia 13 de outubro, com a morte de Kevin Espada, de 14 anos, na Bolívia. No primeiro, bombas foram lançadas no setor ocupado pela torcida atleticana, enquanto no outro um sinalizador lançado pela torcida do Corinthians acertou e matou o garoto. De acordo com Nepomuceno, a diferença é que não houve vítimas no Gigante do Horto.
O vice-presidente atleticano questionou a interpretação da gravidade dos ocorridos pelo STJD e a atitude da CBF, que, segundo ele, deixou portas abertas para interferências externas na segurança do torcedor.
Por fim, Daniel afirmou que espera a mesma ajuda do governo para que o impasse em relação ao dinheiro da venda de Bernard seja resolvido.
Veja o texto publicado na íntegra:
"O continente inteiro lamentou a morte do jovem Kevin Espada, atingido por um sinalizador deflagrado por um torcedor do Corinthians na Bolívia, em fevereiro de 2013. A forma como o pai de Kevin descrevia o filho com o crânio aberto puxava um coro de severa punição ao Corinthians.
Meses depois, o portão 2 do estádio Independência, setor onde ficam os sócios Galo na Veia, foi atingido por bombas, sinalizadores, entre outros objetos atirados pela torcida visitante. A diferença é que não houve um crânio exposto para uma punição justa com o ideal de inibir novos acontecimentos de tragédias em um ambiente que deveria ser de festa.
O STJD viu sua decisão, que já era a mais branda possível, seguindo ordens da CBF. As portas ficam abertas para que influências externas interfiram na segurança do torcedor que já não vai ao estádio com a mesma frequência por fatos como o ocorrido no Independência.
O Atlético foi obrigado a ceder dez por cento da carga dos ingressos para a torcida visitante, assim como acontecerá em 2014. A dúvida que fica é se a decisão da CBF não passará uma sensação às mesmas pessoas de que nada é proibido, já que se trata de um caso reincidente após o clássico em dezembro de 2012.
Continuamos trabalhando para manter um estádio seguro, já que não há ocorrências parecidas desde que passamos a jogar no Independência. Trabalhamos também para vermos um Atlético forte dentro de campo e fora das quatro linhas, pregando igualdade no julgamento de todos os clubes em casos semelhantes daqui em diante.