ENTREVISTA

‘Cabuloso faz jus à minha forma de lutar’, diz Vitor Petrino, cruzeirense top 10 do UFC

Mineiro fala sobre a mudança para os pesos-pesados, além da paixão pelo Cruzeiro e o objetivo de conquistar o cinturão

Angel Drumond
angel.lima@hojeemdia.com.br
Publicado em 31/08/2026 às 13:09.Atualizado em 31/08/2026 às 19:24.
Mineiro Vitor Petrino destaca paixão pelo Cruzeiro e chegada ao top 10 do UFC (Reprodução / Instagram Vitor Petrino)
Mineiro Vitor Petrino destaca paixão pelo Cruzeiro e chegada ao top 10 do UFC (Reprodução / Instagram Vitor Petrino)

Aos 29 anos, Vitor Petrino vive uma nova fase na carreira no MMA. Depois de deixar a categoria dos meio-pesados, na qual precisava lidar com um desgastante processo de corte de peso, o mineiro de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, encontrou nos pesos-pesados um ambiente para desenvolver seu jogo com mais liberdade e intensidade. Desde a mudança de categoria, são quatro vitórias consecutivas no UFC. 

A mais recente veio sobre o experiente Serghei Spivac, por decisão unânime, no co-main event do UFC Sacramento, no último sábado (22). O resultado consolidou a ascensão do brasileiro na divisão e o levou ao oitavo lugar do ranking Meta dos pesos-pesados. Petrino dominou o moldavo e manteve a invencibilidade desde que passou a competir entre os atletas de até 120,2 kg. 

A mudança de categoria também alterou a rotina do lutador. Sem a necessidade de enfrentar um corte severo de peso na reta final das preparações, Petrino afirma que passou a conseguir trabalhar técnica e tática com maior intensidade durante toda a semana da luta. O ganho de rendimento veio acompanhado da evolução de um atleta que busca se tornar cada vez mais completo, treinando jiu-jítsu, muay thai e wrestling.

Mineiro, torcedor do Cruzeiro e dono do apelido “Cabuloso”, Petrino carrega para o octógono uma identidade construída desde os primeiros passos no MMA. Em entrevista ao Hoje em Dia, o lutador falou sobre a adaptação aos pesos-pesados, a sequência de vitórias, a chegada ao top 10, a influência de suas raízes em Minas Gerais, o trabalho ao lado de Cristiano Marcello, a relação com o Cruzeiro e o próximo passo na caminhada em busca do cinturão do UFC.

Você chegou aos pesos-pesados e, desde então, construiu uma sequência de quatro vitórias, a mais recente sobre Serghei Spivac. O que mudou no seu jogo e na sua preparação depois da subida de categoria?

O que mais mudou no meu jogo após a subida de categoria foi que, agora, consigo trabalhar a técnica e a tática até durante a semana da luta, e com alta intensidade. Quando eu competia na categoria até 93 kg, por causa do corte de peso, o foco, principalmente na reta final, acabava sendo muito mais voltado para a perda de peso do que para a própria estratégia da luta.

Isso tirava um pouco o meu foco da preparação. Outra mudança é que, na categoria dos pesos-pesados, consigo manter uma intensidade maior nos treinos durante a preparação para as lutas, porque me alimento melhor, durmo melhor e, consequentemente, consigo ter um rendimento melhor.

A vitória sobre Spivac colocou você no oitavo lugar do ranking dos pesos-pesados do UFC. Em que momento você percebeu que poderia chegar rapidamente ao topo da divisão e disputar uma luta pelo cinturão?

A luta contra o Spivac realmente me deu uma colocação muito boa na categoria. Hoje, estou entre os oito melhores do mundo. Mas eu sabia que, em algum momento, isso iria acontecer. Eu trabalho muito para que isso aconteça. Meu foco é realmente estar entre os melhores do UFC, então acho que isso seria algo inevitável. As coisas estão acontecendo no tempo certo, e eu sei que, logo, logo, teremos a nossa chance de disputar o cinturão.

Seu estilo combina uma trocação forte com quedas e um bom trabalho no chão. Como você avalia a evolução do seu jogo desde a estreia no UFC e quais aspectos ainda pretende aperfeiçoar?

Eu sou um cara que realmente ama o que faz. Amo esse esporte e busco, cada vez mais, me tornar um atleta mais completo. Então, treino muito jiu-jítsu, muito muay thai e muito wrestling. À medida que o tempo passa e vou lutando, também consigo adquirir mais experiência. Meu foco sempre foi ser um cara completo.

E trabalho muito para isso. Sei que, na minha academia, além de termos todo o potencial para que isso aconteça, temos uma qualidade de treino muito boa. Temos uma variedade muito grande de atletas, o que também facilita para que a gente aprenda cada vez mais sobre as diferentes artes marciais.

Você tem apenas 28 anos e já vive um dos melhores momentos da carreira. Como tem lidado com o aumento da expectativa e da cobrança depois de entrar no top 10 dos pesos-pesados?

Realmente, sou um cara novo. Tenho apenas 29 anos e já estou entre os dez melhores da categoria mais perigosa, a dos pesos-pesados, entre os atletas mais pesados do planeta. Mas já são 14 anos competindo, sendo oito como profissional.

Nesse período, já me testei contra vários atletas e passei por diversas experiências. Sei que cada luta é uma experiência nova, mas estou bem tranquilo. Sou um cara muito tranquilo quanto a isso, até porque sei da minha qualidade, sei o quanto treino, o quanto me dedico e o que faço para estar ali.

Você é mineiro de Santa Luzia e treina na CM System, uma equipe tradicional do MMA brasileiro. O quanto as suas raízes em Minas Gerais e o trabalho ao lado de Cristiano Marcello foram importantes para a construção do lutador que você é hoje?

Sou mineiro, de Santa Luzia, e treino na CM System, uma equipe muito tradicional de MMA no Brasil, ao lado do Cristiano, que é um cara que já treinou diversos campeões e passou por vários eventos importantes. Tenho uma raiz muito forte em Minas Gerais.

Fui eleito o melhor atleta de MMA amador de Minas Gerais quando treinava na Impacto Fighter Club, do mestre Jaziel Junior. Desde sempre, tive uma base muito forte, o que também facilitou minha adaptação quando me profissionalizei e passei a treinar em uma equipe maior, como a CM System. Sempre fui um cara muito dedicado, e isso também contribui muito para que o trabalho seja realizado com cada vez mais excelência.

Você é torcedor do Cruzeiro e carrega o apelido de “Cabuloso”. Existe alguma relação entre essa paixão pelo clube e a escolha do apelido? Como é para você representar o Cruzeiro e Minas Gerais quando entra no octógono?

Sou torcedor do Cruzeiro, e foi justamente isso que me deu o apelido de Cabuloso. Eu tinha um amigo que trabalhava comigo e sempre falava: “Você é cabuloso igual ao Cruzeiro”. É o Cristiano Bibiano. Acabou que o apelido pegou. E “Cabuloso” faz jus à minha forma de lutar, porque sou um cara que sempre vai para cima, muito agressivo.

É uma camisa que visto com muito orgulho. Tenho muito carinho pelo Cruzeiro e também recebo muito carinho por ser torcedor do clube. Amo muito esse time e sou muito feliz por ter recebido essa homenagem e, de alguma forma, também poder homenageá-lo.

Depois de chegar ao top 10 dos pesos-pesados, qual é o próximo passo que você considera mais importante na carreira: enfrentar um adversário ainda mais bem ranqueado, entrar no top 5 ou já começar a pensar em uma disputa pelo cinturão?

O foco é sempre enfrentar os maiores e melhores adversários da categoria. Hoje, sou o oitavo colocado no ranking, então quero enfrentar qualquer um que esteja acima de mim. Meu foco é ser campeão, e acredito que qualquer luta que me dê uma projeção melhor no ranking seria interessante. Estou pronto para lutar contra qualquer um e o quanto antes.

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