
O atacante Marinho nunca escondeu sua autenticidade. Foi assim durante sua apresentação como reforço do Cruzeiro, há duas semanas, revelando que chegou para ser um dos titulares do técnico Vanderlei Luxemburgo. E bastaram três partidas para o estiloso atacante cumprir a promessa. A rápida ascensão, contudo, não surpreendeu o jogador.
“Esperava sim (ser titular), porque estou dando continuidade ao que vinha fazendo no Ceará”, diz Marinho, sem titubear, quando questionado se esperava cair nas graças da China Azul, mesmo em pouco tempo, com apenas três partidas disputadas.
A espontaneidade e o excesso de confiança é fruto do precoce amadurecimento desse alagoano de 25 anos, natural de Penedo, município localizado às margens do Rio São Francisco.
Ainda criança, eram quase diários os momentos em que Marinho presenciava o pai, alcoólatra, agredir a mãe e a irmã. Os problemas em casa atrapalharam o desempenho escolar do pequeno Mário Sérgio. Brigas e expulsões eram comuns. Os motivos eram quase sempre os mesmos. Embora revoltado, ele sempre defendia a honra do pai, constantemente humilhado por colegas.
Mas quis o destino que o pai fosse o responsável pelos primeiros passos de Marinho no futebol. Foi ele o responsável em inscrever o garoto na escolinha do Penedense.
A princípio, o atacante recusou. Ele não queria que a humilde família pagasse R$ 15 por mês ao clube, mas acabou sendo convencido pela mãe.
Para conseguir uma chuteira, o garoto vendeu um passarinho de estimação para comprar o calçado que o ajudaria a mudar a sua vida e de sua família.
Dezesseis anos se passaram desde seus primeiros passos no futebol. Com passagens por vários clubes, na Toca da Raposa ele espera se firmar de vez. “Estou procurando meu espaço. Espero que eu possa a cada dia estar bem”, comenta Marinho.
Em alta
Os números estão a favor de Marinho. Nos jogos em que participou, o atleta já figura como um dos melhores finalizadores do time. O pedido para chutar sempre a gol é de Deivid, ex-atacante e hoje auxiliar de Vanderlei Luxemburgo. Em 2003, Deivid foi um dos artilheiros do Cruzeiro na temporada.
“O Deivid diz para a gente finalizar mais, até porque atacante vive de gols e só vai marcar se chutar. Espero que a gente possa dar continuidade e chutar mais vezes ao gol”, observa o jogador.
A confiança é tanta que Marinho recebeu críticas de Luxemburgo pelo excesso de “firulas” apresentadas na partida contra o Goiás, no último domingo. “São coisas para o meu crescimento.”
Ambientado
No dia a dia na Toca da Raposa, Marinho também mostra que está em “casa”, como ele próprio define. Mesmo há pouco tempo no clube, o velocista já se tornou alvo de brincadeiras de companheiros, que até já revelaram o seu apelido: Marinho doido.
“Estou em casa e bem. O professor Silas me falava lá no Náutico que a gente tem que manter a ansiedade lá embaixo e o trabalho lá em cima”, comenta. É isso que eu levo, procurando dar sequência e não me intimidar. Estou em uma grande equipe, isso é o que me motiva mais”, garante.