
Ao longo da história, o amplo histórico favorável do Cruzeiro em cima do River Plate fez com que o time estrelado fosse conhecido na Argentina como “La Bestia Negra” dos Millionários. E a Raposa fez valer a mística na noite desta quinta-feira (21). De forma aguerrida, os comandados de Marcelo Oliveira não temeram o Monumental de Núñez lotado e bateram os donos da casa por 1 a 0.
O único gol da partida foi anotado por Marquinhos. Aos 36 minutos, o meia-atacante aproveitou rebote de uma finalização de Gabriel Xavier para mandar para a meta livre.
Com o resultado, o time estrelado precisará de um simples empate para avançar à semifinal da Copa Libertadores. O duelo de volta será disputado na próxima quarta-feira, no Mineirão, a partir das 22 horas.
Agora, o Cruzeiro voltará suas atenções para o Campeonato Brasileiro. No próximo domingo (23), a partir das 18h30, a Raposa receberá a Ponte Preta, também no Gigante da Pampulha, e irá em busca de seus três primeiros pontos no certame.
MUITA TRANSPIRAÇÃO
River Plate e Cruzeiro chegaram às quartas de final da Libertadores muito mais pelo espírito combativo do que pela técnica. Tanto que poucos foram aqueles que em seus prognósticos que não apostavam que o espírito aguerrido ditaria a tônica do embate entre duas das camisas mais “pesadas” do continente. E não foi preciso muito tempo para ver que o script do duelo seguiu o esperado.
Marcando em cima, o Cruzeiro mostrou que não viria ao Monumental de Núñez apenas para estacionar o carro à frente da área. Tanto que a pressão inicial no campo de ataque fez com que assustasse os Millionários em duas oportunidades logo de cara. A mais perigosa delas no segundo minuto de jogo, quando Manoel mostrou que não tinha cacoete de centroavante e isolou uma falta cobrada com perigo no segundo pau da área argentina.
Aguerrido, o River Plate também construiu boas jogadas, principalmente através dos lançamentos de Ponzio e Sánchez e das boas penetrações de Mora. Na mais perigosa das oportunidades, Martínez deu um belíssimo passe no meio da zaga celeste. Felizmente, para a Raposa, Fábio teve o tempo certo para sair nos pés de Teófilo Gutiérrez e manter o duelo empatado.
Porém, apesar das oportunidades de perigo, o que marcou o primeiro tempo do encontro foi o excesso de vontade dos dois lados. Apesar de ser importante em confrontos como este, o espírito combativo traz consigo um jogo baseado muito pouco pensado. E foi talvez essa característica que faltou ao longo dos 45 minutos. Tivesse um dos times trabalho um pouco mais a bola, o placar certamente não teria virado sem gols.
GUERREIRO
A volta do intervalo trouxe uma dinâmica tal qual a primeira etapa: o jogo muito intenso, corrido, mas pouco pensado. Quem assustou primeiro foi o River, que adiantou um pouco as linhas. Porém, faltava qualidade no time argentino para concluir suas jogadas.
Do outro lado, o Cruzeiro avançava principalmente pelas pontas e, quase na última hora, a defesa adversária cortava. A impressão que dava é que estava fácil penetrar na zaga do River. Não à-toa, quando trabalhou mais a jogada, a Raposa teve sua melhor chance até então.
Aos 18, Gabriel Xavier tocou para Willian, que limpou a marcação com extrema tranquilidade e chutou rasteiro na saída de Barovero, que tentava abafá-lo. A bola só não cruzou a linha porque Vangioni salvou de forma milagrosa.
Porém, como estava com o meio-campo exposto demais, Marcelo Oliveira preencheu o espaço com a entrada de Charles, apostando em um vacilo adversário para o Cruzeiro achar o gol que tanto buscava. E ele veio.
Aos 36, uma bola espirrada por Leandro Damião na área sobrou limpa para Gabriel Xavier. O meia-armador chutou como deu, acertando Barovero. Porém, Marquinhos estava esperto para aproveitar o rebote e tocar para o gol vazio. 1 a 0.
Se até àquela altura a Raposa se mostrou extremamente combativa, não seriam em pouco mais de dez minutos que entregaria os pontos. Mesmo com a pressão adversária, o Cruzeiro soube se portar e conquistou uma vitória imponente.
LA BESTIA NEGRA
O Cruzeiro é conhecido pelos torcedores Millionários como “La Bestia Negra” do River Plate. E a mística voltou a valer. No 13º encontro entre as equipes, a Raposa obteve seu décimo triunfo frente ao rival e encaminhou a classificação rumo à semifinal da Libertadores.
ILUMINADO
Marquinhos não vinha fazendo uma grande partida, mas se tornou herói da Raposa ao mostrar oportunismo para mandar para dentro a chance mais clara que teve.
AGUERRIDO
O Cruzeiro voltou a se mostrar extremamente combativo, com a gana que se pede em um torneio como a Libertadores.
FICHA TÉCNICA
RIVER PLATE 0 X 1 CRUZEIRO
RIVER PLATE: Barovero, Jonatan Maidana, Funes Morl, Vangloni; Carlos Sánchez, Ponzio (Mayada) , Kranevitter, Gonzalo Martínez (Pisculichi); Rodrigo Mora (Cavenaghi) e Teófilo Gutiérrez. TÉCNICO: Marcelo Gallardo.
CRUZEIRO: Fábio, Mayke, Bruno Rodrigo, Manoel, Mena; Willians, Henrique, Marquinhos, Arrascaeta (Gabriel Xavier) e Willian (Charles); Leandro Damião (Henrique Dourado). TÉCNICO: Marcelo Oliveira.
Gol: Marquinhos (aos 36' do 2º tempo)
Data: 21 de março de 2015
Motivo: Jogo de ida das quartas de final da Copa Libertadores
Estádio: Monumental de Núñez
Cidade: Buenos Aires (ARG)
Árbitro: Enrique Osses (CHI)
Auxiliares: Carlos Astroza (CHI) e Marcelo Barraza (CHI)
Cartões amarelos: Ponzio e Kranevitter (River Plate); Willians, Gabriel Xavier e Mena (Cruzeiro)