
Eram 10h20 da última sexta-feira (20). Emerson Ávila acertava os detalhes finais do treino da equipe sub-20 do Cruzeiro, na Toca da Raposa II, como preparativo para a disputa do Campeonato Mineiro da categoria, que começa em abril. O técnico orientava, apontava e gesticulava para os jovens jogadores, ensaiando um recomeço na carreira após longo período desempregado desde que deixou o Esportivo Bento Gonçalves (RS), durante o Gauchão.
Emerson conta que, apesar do momento complicado, não se abateu. “Saí do Esportivo em março de 2014, na disputa do Gaúcho e, depois, fiquei quase sete meses parado. Foi um período de incertezas, sem saber o que iria aparecer de proposta”, lembra o treinador, que retornou à Raposa no fim do ano passado.
“Agora, estou indo passo a passo. É um recomeço. Não posso pensar no que vou fazer lá na frente. Vou devagar. Estou feliz em dirigir o sub-20, e o que me motiva é a oportunidade de fazer um grande trabalho”, ressalta o responsável por revelar jogadores como o goleiro Rafael, o zagueiro Maicon (negociado com o Porto em 2007) e o atacante Guilherme (hoje no Atlético), entre outros.
O treinador avalia que, nas categorias de base, o importante é a preparação de jogadores para o grupo principal. “É claro que as pessoas entendem que ganhar competições é muito importante, o que eu também acho. Mas a prioridade é você servir à equipe profissional. Isso é motivo de alegria e de satisfação pelo trabalho bem feito e de resultado”, argumenta.
DESORGANIZAÇÃO
Emerson Ávila conheceu os dois lados da mesma moeda na base da Seleção Brasileira: o êxito e o fracasso. Convidado pelo amigo Ney Franco em 2012, comandou a equipe sub-17, com a qual conquistou o Sul-Americano e foi quarto colocado no Mundial.
No entanto, com a saída do então coordenador das categorias de base da CBF para treinar o São Paulo, em julho daquele ano, as coisas mudaram para pior.
Principalmente pela desorganização da entidade, que não contratou substituto para a vaga de Franco e praticamente o efetivou no time sub-20 às vésperas do Sul-Americano, disputado em janeiro de 2013, na Argentina. Resultado: o Brasil foi eliminado na primeira fase da competição.
“Estava com o sub-17 encaminhando para um torneio nos Estados Unidos, em novembro, quando disseram que seria melhor eu deixar a convocação da sub-20 pronta. Quando voltei, fui informado de que iria dirigir a sub-20. Foi tudo muito corrido e, por mais que se tenha bons jogadores no mercado nacional, é preciso ter uma sequência de convocações para amistosos e competições”, justifica.