Jogadores recém-chegados ao Cruzeiro aderem ao grupo de orações dos antigos

Alberto Ribeiro - Hoje em Dia
Publicado em 14/03/2015 às 09:03.Atualizado em 18/11/2021 às 06:20.
 (Samuel Costa/Hoje em Dia/Arquivo)
(Samuel Costa/Hoje em Dia/Arquivo)
Virou uma marca na campanha do Cruzeiro nos últimos dois anos. Rodas de orações ao final dos jogos, comemorações dos gols com os dedos apontados para o céu, discursos de agradecimento a Deus. E o torcedor estrelado deve ter percebido que, neste ano, os jogadores, em grupos, continuam comemorando toda bola na rede com as mãos erguidas para o céu.
 
Mesmo com as mudanças, com a reformu-lação, a equipe do Cruzeiro continua apegada à fé. As orações fazem parte da rotina dos atletas na Toca da Raposa. Antes e depois dos jogos, eles se reúnem para rezar e agradecer. “Continuamos com a mesma prática. Toda semana, nos reunimos (jogadores e esposas) aqui em casa. Quem chegou agora também está participando do grupo de orações”, afirma Fernanda Albuquerque, mulher do lateral Ceará.
 
Pastor da Igreja Batista Getsêmani, Ceará é o responsável pelas pregações, ensinamentos da Bíblia e por promover os grupos de oração. “Eu brinco que o Marcos (Ceará) é um pastor disfarçado de atleta. Ele vem conversando muito com os novos jogadores no vestiário. A experiência e a postura dele durante as conversas faz com que os atletas o respeitem”, diz Fernanda.
 
O goleiro Fábio e a esposa dele, Sandra Maciel, também costumam promover encontros onde moram. Mas a liderança do grupo não é exercida apenas por atletas evangélicos. Não existe qualquer restrição a religiões. Outros jogadores têm voz ativa, como o zagueiro Paulo André. 
 
Um dos maiores trunfos do grupo é justamente respeitar a crença de cada um. “A força fica sempre maior, porque você olha o semblante do companheiro ao lado e vê que ele está te passando esperança. Isso nos ajuda muito, dá uma força muito grande”, ressalta o volante Henrique, um dos líderes celestes.
 
União na queda
 
A união dos atletas cruzeirenses, por meio da religião, começou em 2013, quando o time foi eliminado pelo Flamengo da Copa do Brasil. Naquela ocasião, as responsáveis por iniciar a corrente foram as mulheres dos jogadores e do técnico Marcelo Oliveira.
 
Além dos encontros nas residências dos casais, as esposas dos jogadores criaram um grupo no Whatsapp com o propósito de formar uma corrente de orações. Como regra, elas nunca pedem por títulos ou vitórias, mas para que Deus dê força aos seus maridos. 
 
Com a reformulação deste ano, foi criado um novo grupo na rede social. “As mulheres e namoradas de todos os novos jogadores estão participando das orações”, afirma Fernanda. 
 
As mulheres dos jogadores que deixaram o Cruzeiro, como Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, continuam participando das orações pelo Whatsapp.
 
Em 2014, durante a partida contra o Goiás, no Mineirão, que selou a conquista do Brasileirão pelo segundo ano seguido, foi erguida uma grande bandeira com a frase “A Deus toda a glória”, confeccionada a pedido dos jogadores. A mesma coisa foi feita no último clássico contra o Atlético, no dia 8 de março, pelo Campeonato Mineiro.
 
Artilheiro vira incentivador da corrente nas comemorações
 
Além do goleiro Fábio e do lateral Ceará, o Cruzeiro tem outros jogadores evangélicos, como os zagueiros Léo e Dedé, os volantes Tinga e Henrique e os atacantes Willian, Marquinhos e Alisson. Muitos frequentam os cultos da Igreja Batista da Lagoinha.
 
Fábio faz parte da Igreja Batista Getsêmani, da Pampulha. Um dos novatos que vem participando ativamente dos grupos de oração é o atacante Leandro Damião. “Ele é um dos jogadores que sempre participam das reuniões que a gente faz”, afirma Fernanda Albuquerque, esposa de Ceará. 
 
Artilheiro do Campeonato Mineiro, com seis gols, Damião é um dos jogadores que sempre chamam os companheiros para formar a corrente da fé durante as comemorações dos gols. A boa fase do centroavante cruzeirense é comemorada pelos companheiros dele.
 
“Eu torço muito pelo Leandro. Acompanhei o trabalho dele no Internacional, até mesmo por jogar contra. Ano passado foi um sofrido para ele, por causa das lesões. É difícil o jogador querer fazer o que sabe de melhor e não conseguir. Graças a Deus, ele está nos ajudando”, comemora o volante Willian Farias. 
 
Em 2014, Farias viveu um drama com o filho Enzo Gabriel, que passou 40 dias internado por causa de um problema pulmonar. Na época, Enzo tinha apenas um mês.
 
Liberado de vários treinos, o volante perdeu seis quilos nesse período. Segundo ele, a força dos companheiros foi crucial para que ele pudesse enfrentar a dificuldade.
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