
O semblante sério, com cara de poucos amigos, durante a entrevista coletiva mostrava um Marcelo Oliveira diferente. Geralmente sereno em suas declarações, o treinador não escondeu a sua insatisfação após a derrota para o Atlético por 2 a 1 neste domingo (19), no Mineirão, que culminou com a eliminação do Cruzeiro no Campeonato Mineiro.
Pela primeira vez desde sua chegada à Toca da Raposa, em janeiro de 2013, Marcelo foi questionado sobre seu futuro no Cruzeiro. Revoltado com a arbitragem, ele garantiu não se importar com as críticas e rechaçou o receio de perder o cargo.
“Nós ganhamos dois brasileiros de forma brilhante e formamos um time. Fizemos um novo time naquela oportunidade e ganhamos um Mineiro com campanha invicta. Sempre falamos que era um trabalho conjunto, de comissão técnica, diretoria e jogadores. Penso que é da mesma forma. No Brasil, a cultura é cair em cima do treinador. Estou seguro e confiante em tudo que estamos fazendo. Estamos tentando fazer o melhor sempre, colocando o time ofensivo, para frente. Estou pronto para receber qualquer tipo de crítica e qualquer situação que possa acontecer. Eu não temo nada. Aliás, eu não tenho apego algum a emprego, eu tenho ao trabalho. Sou honesto, leal e faço o melhor trabalho”, comentou.
Para Marcelo, a pressão sobre os treinadores no Brasil é uma cultura antiga. “Desde o tempo do Cafunga, sempre quando você perde um jogo é por causa de escalação ou substituição. Isso é uma cultura no brasil. Eu poderia ter tirado um, colocado outro, mas vou para casa tranquilo, com a convicção e consciência de que estou fazendo o melhor trabalho. E honestamente”, reiterou.
Marcelo destacou ainda as chances criadas pelo Cruzeiro, mas admitiu que faltou tranquilidade aos jogadores. “O Cruzeiro não precisava da vitória, já que o empate bastava, mas fez o primeiro gol e criou outras oportunidades para ampliar. Mas faltou um pouco de tranquilidade, menos ansiedade e poder de decisão. O adversário talvez não teve tantas oportunidades, mas foi mais efetivo. Ficaria chateado se tivesse chegado ao vestiário e falado sobre um time passivo, que não lutou. Mas não foi assim”, finalizou.