‘Neymar ainda é uma incógnita’, afirma Dirceu Lopes sobre a convocação do craque brasileiro
“Príncipe” fala sobre reencontro com campeões de 1966, lançamento da camisa branca, expectativas para Cruzeiro e o que esperar da Seleção nesta copa

Conhecido como o “Príncipe” do futebol brasileiro, apelido que ganhou em razão da genialidade dentro de campo e da admiração despertada até mesmo mundo afora, já que Pelé ocupava o posto de Rei do Futebol, Dirceu Lopes segue sendo uma das maiores referências da história do Cruzeiro e da Seleção Brasileira. Aos olhos da torcida celeste, o ex-meia permanece como símbolo de uma geração que transformou o clube em potência nacional.
Em entrevista, Dirceu relembra a emoção de reencontrar antigos companheiros da histórica conquista de 1966 durante o lançamento da camisa branca do Cruzeiro, uniforme eternizado na campanha do primeiro título brasileiro do clube, que completa 60 anos em 2026. Entre os presentes no encontro estavam nomes marcantes daquela equipe, como Natal, Evaldo, Procópio e Piazza, personagens de uma trajetória que permanece viva na memória da torcida.
O ex-jogador também falou sobre o atual momento da Raposa e demonstrou confiança no crescimento da equipe para a temporada. Segundo ele, a mudança de postura recente do time aumentou a esperança dos torcedores, alimentando a expectativa de que o Cruzeiro possa disputar títulos importantes tanto no cenário nacional quanto continental.
Além das recordações e projeções para o clube celeste, Dirceu abordou temas que movimentam o futebol brasileiro, como a convocação de Neymar para a Seleção Brasileira. Embora reconheça a qualidade técnica do camisa 10, o ídolo celeste classificou o momento do atacante como uma incógnita, sobretudo diante do histórico recente de lesões e da exigência de uma competição curta como a Copa do Mundo.
Na entrevista ao Hoje em Dia, Dirceu Lopes ainda analisou as perspectivas da Seleção Brasileira para o Mundial, falou sobre a diferença de identificação do torcedor com os jogadores da atual geração e avaliou se o Brasil reúne condições de voltar a disputar o título mundial como protagonista.
Dirceu, como foi para o senhor reencontrar grandes companheiros da conquista de 1966 no lançamento da camisa branca? Esse momento trouxe lembranças especiais daquela campanha histórica do Cruzeiro?
Foi uma emoção muito grande nos reencontrarmos e revivermos aquele momento histórico para todos nós. Com a questão da idade e outros fatores, acabamos nos afastando e dificilmente nos encontramos. Então, foi um momento em que juntamos o útil ao agradável, porque recordar aquele título — que eu repito como o maior da história do Cruzeiro — realmente é algo emocionante para todos nós.
A camisa branca remete diretamente à noite da conquista do primeiro título brasileiro do Cruzeiro, em 1966. Qual é a sua opinião sobre esse uniforme e o que ele representa para a história do clube e da torcida?
A camisa branca representa uma imensidão de sentimentos que eu nem consigo expressar completamente. Sou até suspeito para falar, porque o Cruzeiro é a minha paixão desde a infância. Além disso, aquela conquista de 1966 — que eu repito como o maior título da história do Cruzeiro — tem um significado muito especial para mim. Era uma camisa que usávamos muito naquela época e que ficou marcada naquele momento histórico. Por isso, a camisa branca tem um valor simbólico enorme para todos nós, especialmente para mim. Brincando, eu sempre digo que o espírito do Rei baixou no Príncipe. Então, para mim, é algo maravilhoso.
O Cruzeiro em 2026 está cercado de expectativa após um período de reconstrução. O que o senhor espera da Raposa na próxima temporada e quais objetivos acredita que o clube pode alcançar?
O meu sentimento é o mesmo de toda a torcida do Cruzeiro. Durante essa comemoração do lançamento da camisa, tive a oportunidade de conviver com muitos torcedores do clube e perceber esse entusiasmo de perto. Então, o meu sentimento é exatamente esse: de confiança e esperança. Depois da chegada desse novo treinador, o Cruzeiro mudou de postura. O time passou a transmitir mais confiança, principalmente depois daquele jogo contra o Palmeiras, em São Paulo, quando empatou por 1 a 1 e mostrou competitividade. Agora, com esse confronto diante do Flamengo, o Cruzeiro demonstra que pode disputar esse título com confiança. Vejo o Cruzeiro como um postulante a muitas vitórias e conquistas, tanto no Campeonato Brasileiro quanto na Libertadores. O Cruzeiro é um competidor importantíssimo.
A convocação de Neymar voltou a movimentar o futebol brasileiro. Como o senhor avalia a presença dele na Seleção neste momento e o quanto a experiência do jogador pode pesar em uma competição tão importante?
O meu sentimento em relação ao Neymar é parecido com o de muitos torcedores e de todos nós que gostamos de futebol: ainda é uma incógnita. A convocação dele foi importante? Eu não sei. O Neymar vem demonstrando, já há bastante tempo, dificuldades para ter sequência e condições ideais de jogo. Pelo histórico e pela qualidade que sempre mostrou no futebol, sabemos do potencial dele, mas, hoje, ele realmente tem condições? Essa é a grande dúvida. Em uma competição tão curta, não se pode correr riscos. Por outro lado, o que traz confiança é o treinador, que tem uma cultura europeia e costuma agir de forma muito justa, sem se deixar levar tanto pelo lado emocional. Agora, é esperar, aguardar e torcer para que tudo corra bem.
Pensando na Copa do Mundo, o que o senhor espera da Seleção Brasileira? O Brasil chega com condições de voltar a disputar o título de forma protagonista?
É diferente das outras Copas em que fomos campeões. Naquelas conquistas, a gente sabia de cor e salteado a escalação da Seleção Brasileira. Hoje, pelo fato de a maioria dos jogadores atuar no exterior, não existe mais aquela proximidade ou identificação tão forte. Sinceramente, há jogadores que eu ainda nem acompanho tão de perto para saber exatamente como se desenvolvem dentro de campo. Claro que o Brasil sempre conta com atletas de qualidade, jogadores capazes de desequilibrar uma partida e decidir jogos. Mas, como franco favorito, eu acredito que não. Por outro lado, o Brasil pode, sim, surpreender de forma positiva. Se conseguir jogar o seu verdadeiro futebol, aí passa a ser, naturalmente, um forte candidato ao título.
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