Saúde mental

Derrota em Copa pode deixar marcas na carreira; psicóloga explica como atletas enfrentam frustração

Especialista analisa os impactos emocionais de perder uma decisão mundial e aponta caminhos para evitar que o trauma comprometa o desempenho esportivo.

Do HOJE EM DIA
esportes@hojeemdia.com.br
Publicado em 22/07/2026 às 22:09.
 (CazéTV/Reprodução)
(CazéTV/Reprodução)

A derrota da Argentina para a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026 reacendeu o debate sobre os impactos psicológicos de uma decisão perdida. Depois de ver o sonho do bicampeonato consecutivo ser interrompido, jogadores como Lionel Messi iniciam um processo de recuperação emocional que, segundo a psicóloga esportiva Priscila Mendes, do Inter de Minas, exige atenção para evitar reflexos na sequência da carreira.

Além da frustração pelo resultado, os atletas precisam lidar com a repercussão pública. Bruno Guimarães, por exemplo, definiu a eliminação do Brasil diante da Noruega como "a pior dor de toda a sua vida", enquanto Messi afirmou que perder a final de sua última Copa do Mundo representa "uma ferida que vai demorar para cicatrizar". Para Priscila, esse tipo de situação desencadeia uma resposta emocional intensa. "A frustração é uma resposta emocional natural que surge quando o caminho de um indivíduo em direção a um objetivo é bloqueado ou interrompido. No contexto esportivo de alto rendimento, essa emoção pode desencadear o que chamamos na psicologia de cadeia emocional negativa", explica. Segundo ela, o sofrimento é ampliado pela exposição à mídia, às redes sociais e pela sensação de ter decepcionado familiares e torcedores.

A especialista destaca que, sem um trabalho de ressignificação, a frustração pode afetar diretamente o desempenho esportivo. "O impacto de uma frustração severa no seguimento da carreira pode ser devastador se não houver um trabalho de ressignificação", afirma. Ela alerta que o atleta pode perder a motivação, desenvolver burnout, atuar abaixo do potencial, conviver com lesões de origem psicossomática, trocar de clube com frequência e enfrentar dificuldades de adaptação por receio de viver uma nova decepção.

Com o encerramento da Copa do Mundo, muitos jogadores retornam aos clubes para a sequência da temporada. Nesse momento, o ambiente do vestiário também sofre os efeitos da derrota. De acordo com Priscila, o chamado "luto desportivo" pode influenciar o grupo, exigindo acompanhamento para que o atleta consiga recuperar a confiança e voltar a competir em alto nível.

Entre as estratégias recomendadas pela psicóloga estão o acolhimento das emoções, com espaço para que o atleta expresse tristeza e decepção; um período de distanciamento do ambiente competitivo para fortalecer o convívio familiar; a ressignificação da derrota, separando a identidade pessoal do desempenho esportivo; a definição de metas de curto prazo no retorno ao clube; e o acompanhamento psicológico contínuo, tratado com a mesma importância da preparação física. Segundo ela, essas medidas ajudam o atleta a lidar com a pressão e a reduzir os efeitos emocionais provocados por uma derrota de grande impacto.

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