
“3 a 1 foi pouco”. A frase do lateral-esquerdo do Ceará, Márcio Careca, ao final da partida, resume bem a atuação do América frente ao Vozão, na noite desta terça-feira (28), no Estádio Independência. Após um primeiro tempo irreconhecível, quando saiu atrás no marcador, o Coelho conseguiu a igualdade na segunda etapa, mas sofreu dois gols nos minutos finais e permanece em sua decadência na Segunda Divisão.
Com a derrota, o América permanece com os 30 pontos, mesma pontuação do Ceará, e demonstra que está cada vez mais longe da Série A. Agora o Coelho tentará retomar o caminho das vitórias frente ao CRB, em Maceió, no próximo sábado, às 21 horas. O Vozão, por sua vez, recebe o Guaratinguetá, tentando emplacar sua segunda vitória consecutiva.
Etapa inicial lamentável
Irreconhecível. Assim como nas últimas partidas, quando se mostrava perdido pelo meio-campo, o América fez um primeiro tempo sofrível, onde os passes errados e as jogadas sem objetividade eram a tônica da equipe. Durante os 45 minutos iniciais, o Coelho pouco ameaçou. Quando assustava, era sua torcida, que não acreditava que aquela equipe no gramado do Independência era a mesma que chegou a liderar a Série B nas rodadas iniciais.
O Ceará, que não tinha nada a ver com isso, aproveitava os erros do adversário para impor seu ritmo de jogo e ir em busca do tento inicial, que veio aos 18 minutos. Em um descuido da zaga americana, Márcio Careca lançou Mota em profundidade. O Neneca, para tirar o primeiro zero do marcador. 1 a 0.
O ex-cruzeirense Mota deixou sua marca (Foto: Carlos Roberto)
O “Vozão” fazia da marcação sob pressão na saída de bola do Coelho seu principal trunfo. Como a qualidade de passe do adversário era discutível, o alvinegro cearense recuperava a pelota e ligava o contra-ataque em velocidade, causando sustos ao sofrido torcedor americano que assistia ao duelo das cadeiras do Independência. Por duas vezes, os donos da casa chegaram a temer que o Ceará ampliasse o placar. Por sorte dos donos da casa, o ataque nordestino pecou no chute e desceu para o vestiário com apenas um gol de vantagem.
Igualdade e castigo no final
A volta do vestiário apresentou uma tentativa de mudança do técnico Milagres. Atrás no placar e com pouca eficiência no meio-campo, o comandante do Coelho preferiu retornar para a segunda etapa no esquema 4-4-2 e deu mais liberdade para seus laterais. Nos vinte minutos iniciais, o América até que apresentou uma discreta evolução, quando passou a agredir mais o adversário, mas não conseguir fugir de seus erros, ao pecar na criação das jogadas e também na finalização.
Desesperado em busca da igualdade, o Coelho subia ao ataque com frequência. Quando passou a tocar a bola com maior tranquilidade, chegou com perigo à grande área adversária, mas chutava por cima da trave defendida por Fernando Henrique. Eis que quando as esperanças se esgotavam, enfim o América anotou o seu. Aos 34 minutos, Adeílson recebeu no miolo da zaga cearense, ganhou do adversário e cutucou no canto esquerdo do arqueiro alvinegro para igualar o marcador. 1 a 1.
O gol trouxe emoção ao duelo. As equipes passaram a deixar de lado a marcação e buscavam a vitória de forma fulminante, atacando com perigo. O Ceará, por exemplo, por um milagre não desempatou o duelo. Aos 38, Apodi avançou pela direita e cruzou no segundo pau, onde encontrou o Neneca, que fez uma defesa brilhante. No rebote, Robert, que também atuou pelo Cruzeiro, não conseguiu completar para o gol.
Aos 45, porém, Thiego completou para as redes, castigando o Coelho, que se bem recuperava na partida. 2 a 1 Ceará. Desesperado, o América foi para cima do rival. Afoito, sofreu o golpe fatal em um contra-ataque, um minuto depois. Eusébio avançou pela esquerda e centrou a bola para Magno. Livre, o atacante rolou no canto canhoto e saiu para o abraço. 3 a 1 Vozão, placar que deixa o torcedor americano sem acreditar na decadência da equipe. Que fase...
FICHA TÉCNICA:
AMÉRICA 1 X 3 CEARÁ
América: Adeílson e Fábio Júnior (Kaká). Técnico: Milagres
Ceará: Fernando Henrique, Daniel Marques, Thiego, Luizão; Apodi (Jardel), João Marcos, Eusébio, Bruninho (Magno), Márcio Careca; Mota e Itamar (Robert). Técnico: PC Gusmão
Gols: Mota (aos 18' do 1º tempo); Thiego (aos 45') e Magno (aos 46' do 2º tempo)
Motivo: 20ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro
Local: Estádio Independência
Cidade: Belo Horizonte
Árbitro: Maciel Rocha
Assistentes: Wagner de Almeida Santos e Wendel de Paiva Gouvea
Renda: R$ 14.970
Público: 758 pagantes
Cartões amarelos: Pará (América); Daniel Marques, Luizão, Thiego, Fernando Henrique e Robert (Ceará)